Dos poetas
Esboço de Alzheimer - 28Jul2010 18:22:00

As palavras entraram
Esquecidas e apertadas
Pela porta dos fundos
Pendurada a memória
Em ausente suporte emocional
Ali ficaram pousadas no nada
Confusas
Soltas
Mal titubeadas
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/esboco-de-alzheimer.html
Mulher Alentejana - 23Jul2010 15:11:00

Mulher Alentejana é madrigal
É aragem fresca, água que corre
É sentimento que nunca morre
Mulher Alentejana é farol
A sua luz faz inveja ao sol
É força agreste, terra barrenta
Fruta silvestre, amora preta
Veste-se de negro simples discreta
Esconde o choro num riso franco
Olha o campo é filho seu
Morreu na guerra, luto lhe deu
Raiva bravia, fundo barranco
Que lhe engoliu os sentires
Rugas na pele gasta p'lo sol
Já foi menina de frescas carnes
Foi rainha de alguns amores
Hoje velhinha pensa na prol
Olha pró sol, aqui estou eu
Vivi a vida que Deus me deu
Posso morrer vou descansada
Perdi os passos naquela estrada
Ganhei o chão onde vou morar
Com o meu filho vou descansar
Olha pró sol, último adeus
À terra virgem, barro gasto
Já não há trigo, já não há pasto
Ai Alentejo dos olhos meus
De Antónia Ruivo
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/mulher-alentejana.html
Granja - 21Jul2010 15:00:00

Pilhagens te ocultaram memórias
Réstias de uma história bem tua
São contemporâneas tuas glórias
Representadas em ti por cada rua
De três vilas tua adega cooperativa
Vem dos teus campos saboroso mel
O teu artesanato é tua imagem viva
Fragor dum campo com vidas de fel
As chaminés mouriscas são o relevo
Da herança árabe que ali permaneceu
E que o rei conquistador desvaneceu
A Igreja de S. Brás torna-se o enlevo
Pois da Misericórdia se estabeleceu
Centro de convívio de quem padeceu
António MR Martins
2010.07.20
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/granja.html
"Fonte do Castanheiro" - 12Jul2010 09:32:00
Beatriz foi deitar-se e levou um livro de poesia nas mãos "Coimbra ao som da água" onde leu com emoção:
? há um pombo no céu da cidade
arrisca o seu voo
entre as arestas e o próprio poema
que em suas asas nasce
súbito
descende à raiz da fonte
um sussurro o acorda e acolhe
numa sonata iluminada"
Xavier Zarco
? há um pombo no céu da cidade
arrisca o seu voo
entre as arestas e o próprio poema
que em suas asas nasce
súbito
descende à raiz da fonte
um sussurro o acorda e acolhe
numa sonata iluminada"
Xavier Zarco
Adormeceu com o livro e com as memórias de Coimbra.
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/beatriz-foi-deitar-se-e-levou-um-livro.html
Sessão de apresentação do meu livro "O Último Beijo" no Irish Pub Hennessy's - 10Jul2010 12:36:00
Queridos amigos,Foi uma daqueles noites a não esquecer, adorei estar rodeada de amigos, de boa música e de palavras simples.
E juro que só bebi um sumo de maçã! ;)
Agradeço ao poeta Eduardo Montepuez por ter apresentado o meu livro.
Ao Flávio, pela cedência do espaço.
Às minhas amigas e amigos ali presentes de coração, sorrisos e muita alegria.
Aos leitores que levaram este meu livro para casa. (espero o feedback) :)
Obrigado Temas Originais!
Deixo aqui bocadinhos da noite, que partilho com os amigos.
Um grandeeeeeeee beijinho da amiga
Manuela Fonseca ***---***
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/sessao-de-apresentacao-do-meu-livro-o.html
Nova apresentação do meu livro "O Último Beijo" - 02Jul2010 16:19:00

Queridos amigos,
No próximo dia 9 de Julho, pelas 21:00h, farei mais uma sessão de apresentação do meu livro "O Último Beijo", no Irish Pub Hennessy's, sito na Rua Cais do Sodré, 32 - 38, Lisboa.
Obra e autora serão apresentadas pelo poeta Eduardo Montepuez.
Estão todos convidados com a amizade de sempre!
Apareçam por lá, para aquele abraço amigo e apertado. Eu ficarei muito feliz!
Beijinhos da amiga
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/nova-apresentacao-do-meu-livro-o-ultimo.html
Mafalda Matos Dinis na Sic - 01Jul2010 09:29:00
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/07/mafalda-matos-dinis-na-sic.html
Cartas de amor - 30Jun2010 08:31:00

Só ela sabia escrever cartas de amor
Sentada a um canto da janela
Olhava a planície alentejana
Pousava o croché
Para a mesa da sala de jantar
No colo de avental
E escrevia cartas de amor
Com olhares de andorinha
E alma de melros esvoaçantes
Depois guardava as cartas no aparador
Escondia a chave no avesso do avental
E sorria à planície alentejana
Voltando a pegar no desenho acomodado
Do seu croché
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/cartas-de-amor.html
Ateneu Comercial do Porto - 26 de Junho de 2010 - 27Jun2010 13:25:00
Queridos amigos,Adorei ir ao Porto, passear-me naquelas ruas e deliciar-me com uns pastéis de nata divinais :)
A apresentação do meu livro, foi um momento a não esquecer, ficará para sempre na minha memória.
Obrigado José Ilídio Torres, aquele amigo especial, homem do Norte, senhor das letras! Aquele abraço e um grande beijinho por teres aceitado o meu convite!
Obrigado Pedro Baptista (o editor de Coimbra) por estar ao meu lado a representar a editora. Um beijinho grande!
Obrigado a todos os amigos presentes por me provarem a vossa Amizade e carinho.
E aqui ficam alguns momentos a não esquecer.
Um grande beijinho a todos!
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/ateneu-comercial-do-porto-26-de-junho.html
Sessão de apresentação do meu livro "O Último Beijo" no Porto - 17Jun2010 14:37:00

Queridos amigos,
No dia 26 de Junho pelas 16:00h eu, Manuela Fonseca, e a minha editora Temas Originais temos o prazer de os convidar a estarem presentes na sessão de Apresentação do meu livro "O Último Beijo", no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44 - Porto.
Obra e autora serão apresentadas pelo escritor José Idílio Torres.
Terei muito gosto em estar rodeada de amigos que já passaram do virtual ao real e daqueles amigos que desejo conhecer, pessoalmente. Todos! :)Espero-vos com carinho e ansiedade.
Até já.
Beijinhos da vossa amiga
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/sessao-de-apresentacao-do-meu-livro-o.html
Ontem, dia 14 de Junho de 2010, o meu blog fez 3 aninhos! - 15Jun2010 10:31:00

Obrigada a todos os amigos e conhecidos que, por aqui, vão deixando os seus comentários, as suas palavras e, essencialmente, a sua Amizade. Esta é a minha salinha acolhedora sempre de porta aberta para os amigos, poetas, escritores, cantores, músicos, não importa a profissão mas sim a AMIZADE contínua e sincera.
Por isso, vos agradeço mais uma vez e voltem sempre que quiserem. Aqui estarei!
Um beijinho muito grande da vossa sempre amiga
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/ontem-dia-14-de-junho-de-2010-o-meu.html
Apresentação do meu livro "O Último Beijo" em Santa Iria de Azóia - 14Jun2010 17:07:00
E foi assim que tudo aconteceu na Casa da Cultura de Santa Iria de Azóia.Deixo-te um profundo agradecimento, Carlos Teixeira Luís, pelas palavras que emprestaste ao meu livro, nesta apresentação. Bem-hajas! Um abraço ao amigo, escritor e meu editor Paulo Afonso Ramos por me ter falado no teu nome. Foi um prazer enorme conhecer-te e conhecer a tua escrita através do livro que me ofereceste, Carlos.
Aqui ficam umas fotos para todos os amigos.
Com amizade e carinho, um beijinho a todos.
Vossa amiga,
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/apresentacao-do-meu-livro-o-ultimo_14.html
Apresentação do meu livro "O Último Beijo" em Santa Iria de Azóia - 08Jun2010 14:42:00

Meus amigos,
Tenho o prazer de os convidar a estarem presentes na sessão de Apresentação do meu novo livro "O Último Beijo" na Casa da Cultura em Santa Iria de Azóia, sita na Rua de Angola - 2, em Santa Iria de Azóia, dia 12 de Junho pelas 17:00h
Obra e autora serão apresentadas pelo escritor Carlos Teixeira Luís.
Terei muito gosto e prazer em tê-los ao meu lado, nessa tarde.
Apareçam, amigos!
Beijinhos da vossa amiga
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/06/apresentacao-do-meu-livro-o-ultimo.html
É porque cada minuto foi vivido... - 28Mai2010 14:46:00

Se as gentes me doem ao passar
é porque cada minuto foi vivido
por mim...
por elas...
lutas definitivas
de amores demorados
passos encontrados
em sorrisos perfumados
é porque cada minuto foi vivido...
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/05/e-porque-cada-minuto-foi-vivido.html
Dá-me o pão que te fica intacto - 18Mai2010 11:27:00

Dá-me o pão que te fica intacto
Para que as minhas mãos
Se aninhem em concha
Qual sonho de criança feliz
Sem abutres atentos
Ao tombo da morte que se adivinha
Sem alcances à tua vida
De falsas sedas
E punhados de mentiras
Cristalizadas
Na gargalhada bêbeda
Que a noite destapa
No vazio do teu dia
Oferece-me esse pão que te fica intacto
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/05/da-me-o-pao-que-te-fica-intacto.html
E foi assim a tarde de ontem... Amizade e palavras entrelaçaram-se em abraços e sorrisos! - 13Mai2010 18:42:00
Meus amigos,O espaço "Comicios & Bebicios" é pequeno e acolhedor. As pessoas que me acompanharam foram poucas. Mas tive lá os meus queridos pais, um filho que me foi dar um beijinho (estava doente...)
Enquanto as palavras da Mel não se soltavam do papel, conversámos e, ainda, brincámos um pouquinho. Eis que aparece, sem aviso, o amigo, escritor e meu editor Paulo Afonso Ramos. Confesso que não esperava e fiquei muito feliz! Obrigado Paulo!
A música de fundo que eu levei (Diana Krall) calou-se. E foi o início da Apresentação.
- Paulo Afonso Ramos representou a editora e, muito bem, como seria de esperar.
- No momento seguinte, surge a Apresentação da amiga e escritora Mel de Carvalho:
"O "O Último Beijo" de Manuela Fonseca é, e digo-o aqui peremptoriamente, um livro/romance - revelação.
Revelação no sentido em que, não só revela, inequivocamente, o potencial lírio e poético da autora em coadjuvação com o seu potencial emergente no domínio da prosa, da narrativa, como - e na minha óptica o mais importante, o mais sublime - , revela a interioridade, o que de melhor e pior se oculta por detrás de cada um de nós, seres humanos.
É, assim o li, um romance, que não sendo em absoluto "apenas autobiográfico" é catarse; um romance em que Manuela Fonseca faz a exorcização dos seus fantasmas ( que são os fantasmas comuns a muitas mulheres, infelizmente...) ao mesmo tempo que nos coloca em mãos, qual terapia ao alcance de todos nós, e a um custo zero, um caminho...
Um romance em que "o sonho comanda a vida", e em que se discute a questão tão pertinente e sempre actual, sobre a "insustentável leveza do ser" ou, para ser mais clara, a questão de que, homens e mulheres, enquanto seres gregários que são, estão, digamos, que "programados" para partilhar a vida, o dia-a-dia, o quotidiano com outros seres, malgrado dores e vicissitudes, desilusões e sofrimentos, regenerando, reconstruindo trilhos dentro de si mesmos, no sentido de se reencontrarem plenos, livres em liberdade de se sentirem "amarrados" ( vidé, a propósito o belíssimo extracto de " O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry, citado no último capítulo)...
O caminho que este romance nos indica, é um caminho ao alcance de todos nós, portanto. E esse caminho, é um caminho de laços e afectos, de ternuras e cumplicidades que, desde logo se cimentam no plano relacional da estrutura primeira - a família de proveniência (os pais, os avós) que se maximiza nos filhos e que se ancora na amizade de e para com Inês, amiga de longa data...
( Inês é, portanto, a âncora de Bea ou Beatriz, sendo que Bea é - abro aqui
um pequeno parêntese, levanto o véu -, a personagem principal, a mulher
de sete ofícios, a lutadora, a sonhadora, a que sofre, a que chora, a que
se relega por vezes a planos menores, de limbo e apatia, mas também a que
nunca desiste de ser mãe, de ser a amiga e, por fim, de ser a amante/amada
- esposa, mulher plena e realizada. Mas sempre filha, mãe, amiga...e
sempre Mulher.)
Pelo caminho, neste caminho, surgem outras e não menos importantes personagens, num romance actualíssimo, onde se cruzam, cerzindo, teias de afectos geradas no plano dito de proximidade e vizinhança (trabalho, bairro, rua...) às só possíveis no século XXI, com recurso às novas tecnologias, por via das auto-estradas da informação. Assim desabrocham e crescem novas amizades, uma das quais destaco, com uma terceira mulher, decisiva no rumo da história, a que a autora, em boa hora decidiu dar o meu nome ( e porque vejo nisto um gesto generoso de amizade, te agradeço, Manuela - "bem-hajas, Manuela"...). E neste caminho, nesta "auto-estrada"...nasce um novo amor...
Não pretendendo ser exaustiva, e em jeito de síntese, destaco então a coerência que resulta do que, num primeiro olhar poderia parecer uma "manta de retalhos" de diferentes géneros: narrativa/prosa poética/poesia/epistolas ou, usando o texto de capa (verso) do livro, o somatório de um olhar sobre "um conjunto de fotografias desarrumadas numa caixa..."
Mas não, e não de todo. O conjunto é, de sobremaneira, maior do que as partes. O conjunto é harmónico e belo.
A coerência, portanto. Para além da beleza, para além do íntimo, da coragem, da assertividade no uso da palavra, nas remissões ao mundo de Beatriz e Inês, em que a música, a literatura, a paisagem (a vista e a imaginada) são passaportes para viagens igualmente íntimas e roteiros abertos que a Manuela Fonseca aqui nos deixa, com um "último beijo"...até ao próximo.
Por fim, atrevo-me a ler, o que me prendeu de imediato a este livro: a capa, o verso... (que a Manuela dedica a todas as mulheres)
(...)
E finalmente, agradeço-te, Manuela, pelo convite a estar aqui a teu lado neste alimento de alma que é, em nós, a partilha da palavra...
Bem-hajas! Um beijo...um último beijo...até ao próximo.
Mel de Carvalho
12 de Maio de 2010"
Amigos, nada mais tenho a acrescentar (apesar de umas palavras que disse...), apenas, um muito obrigado à Mel de Carvalho por ter aceitado o meu convite e um abraço enorme ao Paulo Afonso Ramos por estar presente a representar a editora Temas Originais.
Aqui ficam testemunhos da tarde de ontem com carinho, para todos vós.
Um beijo a todos...não o último, certamente :)
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/05/e-foi-assim-tarde-de-ontem-amizade-e.html
Apresentação do meu livro "O Último Beijo" - Dia 12 pelas 17horas, em Bobadela - 05Mai2010 16:04:00

Queridos amigos,
no próximo dia 12 de Maio, pelas 17 horas, no "Comicios & Bebicios", na Bobadela, junto à farmácia, terá lugar uma apresentação do meu novo livro "O Último Beijo". Será apresentado pela amiga, poetisa e escritora Mel de Carvalho, com muita honra minha.A editora é a Temas Originais, a quem muito agradeço, desde já, todo o trabalho, paciência e simpatia que têem tido comigo.
"O Último Beijo"
(Romance)
Se puderem, apareçam! Será um enorme prazer receber os amigos e conhecidos desta e de outras casas.
Muitos beijinhos a todos*
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/05/apresentacao-do-meu-livro-o-ultimo.html
"Os artistas da Almofadinha Verde" de Pedro Leitão - 30Abr2010 20:32:00
Hoje pelas 18.30h, na escola da Bobadela EB1 JI Nº3, o autor Pedro Leitão fez uma sessão de autógrafos e Apresentação do seu novo livro "Os artistas da Almofadinha Verde". Estive presente nesta sessão, acompanhando o meu neto mais novo de 7 anos, o Leandro.
Estive uns minutos à conversa com o autor e, pela simpatia, ofereci-lhe um exemplar do meu 2º livro.
Nunca tinha ido a uma Apresentação de leitura infantil, apesar de ter histórias infantis da minha autoria. Fechei-as na gaveta e hoje gostei do que vi e ouvi.
Quem sabe?...
Deixo aqui algumas fotos que partilho com os amigos.
Um abraço ao Pedro Leitão!
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/04/os-artistas-da-almofadinha-verde-de.html
Abstenho-me de Verbos Imperfeitos - 28Abr2010 11:01:00

Abstenho-me de Verbos Imperfeitos
Conjugados no Pretérito
Perfeito da Vida
Pelo Presente do Indicativo
Rebolado num Passado
Mais que Perfeito
De um Futuro Conjuntivo
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/04/abstenho-me-de-verbos-imperfeitos.html
Lançamento do livro " O Último Beijo " - Com Apresentação de Paulo Afonso Ramos - 18Abr2010 13:25:00
Apresentação do Romance: O Último Beijo de Manuela Fonseca
Lisboa, 17 de Abril de 2010
Por: Paulo Afonso Ramos
Introdução:
Peço-vos que não considerem as minhas palavras como uma apresentação, mas antes como um olhar sobre a obra que a Autora Manuela Fonseca nos escreveu.
Os livros devem ser sentidos, tocados, e de todas as minhas palavras que possam aqui ser reveladas, nunca vos chegarão tão bem como esse ritual. Nunca as palavras serão melhores do que a relação de cada leitor com o seu livro, enquanto o agarra e o desfolha, para o poder saborear enquanto o lê. Nunca! Mas tentarei o meu melhor. Tentarei decifrar, ao meu modo, essa relação entre um livro e o leitor que é tão intimista. Foi assim que o senti. E é disso que venho falar-vos. Do meu melhor de emoções sentidas!
Capa: - Não podia deixar de referir a capa, melhor, a imagem da capa-primeiro por ser uma escolha feliz que resulta perfeitamente, das mais bonitas que vi, e que está muito bem enquadrada com o teor do livro, depois por ser uma escolha da autora e por último, por ser um quadro do Leon Girardet-pintor e poeta francês do século XIX que viveu de 1857 a 1895.
Trilogia: - A minha linha de apreciação / As razões pela minha opção deste caminho em tributar:
Este romance, um rico e elegante tributo à amizade, está muito bem organizado e tem uma particular incidência nas várias trilogias que acontecem. Vejamos as que considero como as primeiras três partes:
* A narrativa
* A poesia
* E a epistolografia
A narrativa, quanto a mim muito bem conseguida, é-nos apresentada cheia de imagens e muito envolvente. De leitura acessível tem uma forma estranhamente familiar que nos agarra desde o primeiro momento. Creio que a Manuela Fonseca soube encontrar o ponto certo, ou a linha condutora, que produzisse, da melhor maneira, estes efeitos.
A poesia, qualidade de Beatriz, a personagem principal, aparece nos momentos genuínos, algumas vezes para atenuar alguma tensão que a leitura provoca, porque este romance transmite uma realidade tão credível que, quase sem darmos por isso, estamos a viver a história intensamente.
E a epistolografia, a criação de missivas, ou a composição poética em forma de carta, que nos transmite o outro olhar, entre Beatriz e Inês, de uma forma segura e quase só possível neste registo.
Curioso é ver a excelente interligação entre as três partes, que, e muito bem, formam um todo.
Sobre este romance- "O Último Beijo" - gostaria de contar pouco, somente o imprescindível para despertar o vosso desejo de ler esta belíssima história. Que recomendo vivamente!
E como disse atrás, venho falar-vos do que senti: No início pareceu-me uma história forte de amizade entre duas mulheres/personagens, que, por causa da vida infeliz de uma delas, se desenrolam em cenários sucessivos.
Depois encontrei uma primeira trilogia, quase como na Divina Comédia de Dante, dividida nas partes: Inferno representado num casamento falhado - Purgatório lugar onde se purificam as almas, potencializado na relação de amizade dessas duas mulheres, Beatriz e Inês, e - Paraíso lugar de delícias onde Afonso vem dar luz/esperança à vida de Beatriz.
E recordo que, no global, já tinha referido a trilogia no sentido da: Narrativa/Poesia e a Epistolografia. Numa outra vertente ficou implícito: Casamento/Divórcio e Amizade, que, mais tarde, daria uma oportunidade a uma outra forma especial da amizade - o Amor.
Mas o romance não fica por aqui! Só isto, embora não fosse pouco, seria insuficiente. Até porque, chegado a este momento ainda não tinha entendido a razão do título - " O Último Beijo " - e o que se seguia, mexia com os meus sentimentos.
Aquelas sensações que sentia descritas no livro já eram minhas também, as lágrimas, não se prendiam mais. Entrar no capítilo V do livro, veio desmoronar aquela protecção que conseguia manter até ali.
Creio que a ternura desta escrita não deixa ninguém indiferente. Quando lerem este livro vão poder certificar o que vos digo. Sente-se a verdade das palavras, sentem-se os gestos e os desejos, para lá das imagens que o livro projecta.
O livro ainda nos traz ligações acentuadas à vida com constantes registos das músicas, dos livros e dos lugares da nossa terra.
Podemos, mais uma vez, nesta trilogia, verificar alguns exemplos:
Na música com as canções: "Pedra Filosofal" cantada por Manuel Freire; "Restolho" de Mafalda Veiga e "Fascinação" de Elis Regina.
Os Livros: "As Esquinas do Tempo" de Rosa Lobato Faria, "Até Que O Amor Me Encontre" de Charles Martin e "Não Me Olhes Nos Olhos" de Tina Grube.
E dos lugares: Lisboa, quando a Autora faz um enquadramento da personagem principal, Londres - (Mencionado por seis vezes, é talvez a cidade mais importante na vida de Inês) e Ericeira - que é a consagração emblemática de Beatriz e Afonso.
E, para não ser maçador, vou terminar os exemplos desta minha acentuada opção das trilogias, num último molde: As menções de frases ou ideias de vários nomes da literatura!
Fernando Pessoa - Poeta e escritor português, digo eu, o melhor de todos.
Paulo Coelho - Escritor, filósofo e letrista brasileiro, muito actual.
Sophia de Mello Breyner Andresen - Poetisa portuguesa das mais importantes do século XX.
O que me parece óbvio, é o facto de que, ilustrado com tamanhas referências, este objecto, enquanto livro, terá que merecer a nossa atenção. Não quero nem devo divulgar mais! Leiam o livro, por favor.
Notas finais:
Mesmo a terminar, gostaria de reforçar a ideia de sentir uma obra feliz, intimista e que teve, com certeza, o seu tempo de amadurecimento. Para que, agora, nós os Leitores, possamos ter o contentamento de a colher como uma fruta madura e muito, muito apreciada.
Explicar-vos ainda que o prazer que me deu ler e fazer esta Apresentação ou olhar de emoções sentidas, não tem palavras que o definam. Foi um contentamento constante, e por tudo isso, - "O Último Beijo" - até ao próximo, vai inteirinho para ti! Obrigado Manuela Fonseca, pelo convite que me fizeste para falar do teu menino, agora recém-nascido e os meus sinceros parabéns pelo que nos dás - um ímpar e valioso - captar dos sentidos.
" Como devem calcular, não sei das palavras certas para agradecer a esta Apresentação feita pelo amigo, escritor e editor Paulo Afonso Ramos! Sendo assim, restam-me as palavras comuns: Obrigado Paulo, com um grande Beijo, no teu coração! Não o último, certamente! "
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/04/lancamento-do-livro-o-ultimo-beijo-com.html
" O Último Beijo " - Lançamento do meu livro - 06Abr2010 08:52:00

?Numa caixa quadrada com tampa, de madeira pintada e uma argola em metal, as fotografias acumulavam-se baralhadas, sobrepostas, misturadas. Em desordem. Desarrumadas? Ela dizia que não, que essa era a única arrumação possível dos vestígios da vida, impressos em fotografias. Que arrumar por datas, fazer sequências, organizar um percurso de instantâneos, construir um álbum, seria como abrir uma auto-estrada. Que o trânsito da vida era outro.
- Achas que a nossa vida é uma sucessão de páginas que se voltam, de folhas que se viram?
E com um olhar ausente, numa perda infinita:
- Não. A vida não se traça, não se decreta. A vida corre, escorre. Sobre a vida discorre-se, tão-somente. Ou se conta, ou desaparece em qualquer data, para sempre, no meio de uma cronologia, eventualmente certa.
Calou-se. Acompanhava-a no silêncio, com sentimentos magoados. Começou a Primavera; nos cachos de glicínias, que nasceram primeiro do que as folhas como se fossem independentes e se exibissem por inteiro, translúcidos e suspensos, no principio de Abril. Até parecia que tinham nascido todos ao mesmo tempo, num mesmo momento, de um dia para o outro. Pura magia, essa grinalda de flores ao longo do antigo e ressequido tronco da sua planta trepadeira.
Alguns cachos, porém, já estavam caídos no passeio. Caminhávamos. Ela apanhava do chão, vagarosamente, um cacho intacto e deu-lhe, com os dedos, voltas de círculo, de ciclo. Passado algum tempo, como se falasse sozinha, no meio de uma praça de província, ao começo da manhãzinha, ainda sem vivalma por perto, ela pegou no princípio da conversa.
- Portanto numa caixa de fotografias, tudo pode começar a qualquer momento conforme a fotografia que vem ao de cima. A verdade é que há muitos anos não abro essa caixa e que, desde então, nego a fotografia como a fiel memória de algum vestígio humano. Prefiro um botão de vestido, o desenho ou a letra no caderno de escola. Prefiro, é uma maneira de dizer?
Nesse dia, nessa data, já a noite descia pelo fim da tarde. Depois do que não disse, claramente, ela entrou num jardim de crianças e pousou o cacho de glicínia no assento de um baloiço que ficou a balançar, ninguém sabe por quanto tempo??
Dia 17 de Abril, pelas 19 horas, no Auditório do Campo Grande Nº 56, Lisboa.
Até já, amigos*
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/04/o-ultimo-beijo-lancamento-do-meu-livro.html
Convite - O Último Beijo - 25Mar2010 20:55:00

Caros amigos,
no próximo dia 17 de Abril, pelas 19 horas, no Auditório do Campo Grande Nº 56, será o lançamento do meu novo livro "O Último Beijo". Desta vez, é um romance. Espero que todos gostem deste meu novo trabalho.
A editora é a Temas Originais, a quem muito agradeço, desde já, todo o trabalho e paciência que tiveram comigo.
Serei apresentada pelo escritor Paulo Afonso Ramos, que admiro muito.
"O Último Beijo"
(Romance)
Sinopse: "Entre os registos poético e epistolográfico, uma história que nos cativa e que tem como centro o valor da amizade".
Tentaremos que seja um fim de tarde bem passado. Se puderem aparecer, ficarei muito feliz com a vossa presença!
Obrigado a todos com um sempre "até já"
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/03/convite-o-ultimo-beijo.html
Foi ele! - 09Fev2010 21:17:00

A minha alma é um chiqueiro. Com muita água conspurcada e comida roída pelos ratos. Sento-me no colo de um sonho distante e sinto-lhe o sopro da ilusão a roçar a diferença de uma água limpa. Já não são sonhos que me alimentam, amiga, são as memórias de um sótão podre de bafio contido em anos mal tratados. E eu puxo por essa memória para não me esquecer das horas más, dos esforços caídos como anjos tombados nas margens de um corpo. Sinto o cheiro a estrume, essa mistura fermentada de mamíferos a pastarem e a pisarem a erva que é só minha. O sol não nasce, a noite não desce e a água do poço da esperança vai secando? Mas como se o sol nunca nasce? Quem a secou? O vento leva-me o cabelo, entra-me nos dedos e ri, ri muito alto a fazer troça de mim. Foi ele! Foi o vento que secou a água do meu poço! As memórias eram, agora, de papelão encharcado nas águas sujas da alma. Os ratos levaram-me o sorriso. Deixaram-me as penas. Os pés perderam-se pelo caminho?
Manuela Fonseca
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/02/foi-ele.html
O ROSTO E AS MÁSCARAS - 30Jan2010 20:13:00

Quando um poeta inferior sente, sente sempre por cadernos de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas - tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassílabos como usaria luto na vida.
O meu mestre Caeiro foi o único poeta, inteiramente, sincero do mundo.
(1935?)
Fonte: http://ensaios-poeticos.blogspot.com/2010/01/quando-um-poeta-inferior-sente-sente.html
















