Fashion

Analfabeta-me - 21Ago2008


Por sugestão deste blog e inspirada num textozinho mal empregado, que é o do anúncio, resolvi falar a sério a brincar:





Tirem-me o A de todos os Amores vividos e por viver e o B dos Beijos, a ver se me importo.
Tirem-me o C da Cama e levem também o C dos Cornos com que fui brindada ao longo da vida;
Tirem-me o D dos Dias felizes ou o E dos Encontros e eu encontrarei outras formas de enfrentar a vida.
Tirem-me o G de todos os Gostos e eu arranjarei desgostos abençoados;
Tirem-me o H da História que às vezes me enfastia de tanto a saber de cor, o I das Ilusões efémeras, o J de todos os Jogos com falsas terminações e o L da Libido dos sábados à noite e eu terei todos os outros dias da semana.
Tirem-me o M das Melhores sensações e levem também o M dos piores Males.
Tirem-me o N das Noites mais suadas ou o O dos Ódios que nunca guardei para depois e eu suarei durante os dias mais gelados.
Tirem-me o P dos Prazeres benditos e eu converterei os malditos em satisfação.
Tirem-me o Q de todas as Questões impertinentes; o R dos Restos, o S da Sarna que em certos dias arranjo para me coçar.
Tirem-me o T de Todas as Tentações e eu tentarei tornar-me Tentadora.
Tirem-me o U do Último dia que preciso Urgentemente de adiar; e o V das Vitórias mal digeridas.
Tirem-me também o X dos Xaropes que não curam e o Z das Zangas que nunca melhoraram.
Porém? deixem-me o F.
Depois de me tirarem todas as letras não poderei mais ser eu. Só me resta pois um grito... Foooooooooda-se!





Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2008/01/analfabeta-me.html

cuecas azuis dão sorte? - 21Ago2008


Apareceu-me assim na noite da passagem de ano e disse que a coisa só funcionava se eu me apresentasse da cuequinha azul. Dizia que era para dar sorte.
Ora eu que não sou nada dessas superstições ? já me conhecem o lado pragmático, não conhecem? ? e que detesto consumismos de coisas inúteis, exibi-lhe a gaveta a abarrotar de lingerie variada e fiquei à espera dos olhitos mansos de macho a deixar-se vencer pela sedução dos cetins.
Que cena triste!
Ainda telefonei a duas amigas a ver qual delas me emprestava o acessório - aquela hora onde é que havia comércio aberto? - mas cada uma delas estava a usar o dito, ou antes, as ditas, e tive de reconhecer que aquele dia era de facto o dia da pouca sorte, pois o fulano, visivelmente incomodado, não se portou nem bem nem mal e no fim desapareceu tão depressa quanto tinha chegado, que nem a garrafita do espumante tínhamos ainda acabado.
Fica uma mulher de castigo a engolir as passas para ver se se passa alguma coisa de extraordinário e verga-se a mais uma frustração por causa de umas cuecas.
Isto compreende-se?


Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2008/01/cuecas-azuis-do-sorte.html

Mise en Scène - 21Ago2008


Essa coisa da mise em scène fez-me lembrar o Tozé.
Nunca vivi dias tão bem representados. Ele fazia da vida um palco, o lugar onde o drama acontecia a qualquer hora do dia ou da noite.
Mas não falemos de dramas na sua verdadeira acepção pois a língua portuguesa não nos deixa muitas margens. Falemos de entretenimento.
O Tozé tinha o bom hábito de começar sempre pelo estudo da obra analisando cada elemento com o detalhe necessário ao bom desempenho. Durante os ensaios criava e definia caracterizações comportamentais mas tudo com muita movimentação no cenário; o investimento queria-se forte nas atitudes, nos gestos, nas entradas e saídas, enfim, em todos os elementos dos quais dependia o ritmo geral da sua actuação. De facto a resistência física de um actor é uma condição sine qua non para o sucesso, pois pode ser solicitado a executar movimentos exigentes, das acrobacias às pantomimas, da ginástica à dança, pelo que nunca me furtei à maior colaboração no sentido de o manter em forma.
Aquilo é que eram horas de trabalho!
O Tozé era também um grande especialista em dobragens, dizia ele, porque in loco, nunca o vi nesse desempenho, o que foi para mim, diga-se de passagem, fonte de grande frustração, tendo em conta o grau de expectativa. E o que mais me ficou em registo foi um pequeno senão relacionado com o hábito de decorar textos e movimentos. Precisando, como qualquer actor, de uma excelente memória, dei com ele a perguntar-me se não havia "ponto", num dos momentos em que uma terrível ?branca? lhe negou a capacidade de continuar a acção.




Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2007/12/mise-en-scne.html

Fausta Literata - 21Ago2008

Embrenhei-me nos subgéneros do romance.
Gosto de investigar aquilo que me interessa e quando me interessa. Obrigações, bem bastam aquelas do sustentozinho, que uma mulher não pode andar por aí aos caídos.
Percorri as nomenclaturas e diverti-me porque para cada um dos achados eu tinha a correspondente representação, mas é que aquilo batia tudo certinho, sem tirar nem pôr.
A meio da aventura conheci um romancista, bem entendido, posto que sou mulher pragmática e nunca teorizo sem poder dar o jeitinho à experimentação.
Venho pois, partilhar convosco um pouquinho do que aprendi como actante, mesmo parecendo pretensiosa, que é coisa que nunca pretendi ser. Porém, já que criei este espaço para que se veja a minha erudição por que não torná-lo extensível à minha? Paixão! (ou é ao contrário?)
Pois bem, de romance em romance resolvi que dos de cavalaria ando eu cheia, se bem que de picaresco os cavaleiros tenham pouco e eu, quase a deslizar para o género pastoril, pois que estou a abarrotar de sentimento, decidi que doravante só embarco num romance de aventuras, barroco quanto baste para que o epílogo seja de bom desenlace, sem dramas pelo meio, que de folhetins ando eu fartinha até ao âmago da minha pobre microestrutura. Vou, pois, focalizar-me no acto de linguagem, pelo menos como incipit de uma montagem em que só a pluralidade de registos poderá levar a um myse en abime mais-que- perfeito.


Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2007/12/fausta-literata.html

Comparações - 21Ago2008


Fiquei ali presa, qual adolescente deslumbrada, amarrada às formas, embevecida com a perfeição dos traços, a lembrar todos os Apolos sobre quem as minhas paixões haviam recaído.
Ele era a personificação da beleza mais completa, a dignidade do amante mais terno, a marca perfeita da luxúria, a ânsia do desejo mais corpóreo, a euforia do sonho, a contemplação?


? mas, meu deus, tanta pólvora para tão pouco rastilho?


Não há dúvida! A natureza nunca é perfeita, mas pedra é pedra e a dureza nunca se despreza!
Mas? por que razão tem a fantasia de se assemelhar tanto à realidade?


Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2007/12/comparaes.html

Tratar ou não tratar deles - 21Ago2008

Estava ali sentadinha a ver o envolvente azul dos Jerónimos e a pensar para comigo que tantos homens juntos são um desperdício: desperdício de tempo, desperdício de gasóleo gasto nos voos que os trazem e os levam e nos carrões donde saem para posar, desperdício de euros gastos nas compridas passadeiras que pisam inchados de tanta importância, desperdício de tempo de antena, desperdício de sol, que até brilha mais hoje? ouro sobre azul, dirá Sócrates, ali eufórico a fazer as honras da casa! Look at me! I?m really a very important person!
Alguns quase rebentam os botões dos fatos azuis? bahh, não os queria nem vestidos de pai natal, que as barrigas obesas são um estorvo a qualquer actividade física.
Reparei agora que o Barroso traz uma gravata a condizer com o casaco da comissária, que vem de vermelho.
Ah, lá vem o Zapatero! Humm, este não precisava de se fantasiar de coisa nenhuma?
? mas ? pensando bem, o que faço aqui sentada em casa com este ar guloso? Já chega de virtualidades!
Vou aproveitar a borla da carris!

Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2007/12/tratar-ou-no-tratar-deles.html

que fazer quado as noites são este pesadelo?! - 21Ago2008

Não é que os insucessos se somem e me impeçam de ser feliz. Feliz sou eu sempre, ou não fosse faustoso este estado de permanente paixão!
Contudo há umas noitinhas em que a coisa corre menos bem, pelo que esta ausência de compreensão dos homens deve ser um problema que morrerá comigo. Ou? antes morresse, que era sinal que as outras mulheres minhas iguais não o viveriam.
Não, isto não é angústia. É resignação.
Só que de resignação em resignação há uma pergunta que me apoquenta e me amarga os dias. Ou melhor? as noites, pois é no escuro que a coisa mais se complica.
Será que os homens têm todos este problema?
Qual?
É que ressonam que nem uns porcos, normalmente de forma proporcional ao tamanho das suas partes mais interessantes!

Fonte: http://homensonline.blogspot.com/2007/12/que-fazer-quado-as-noites-so-este.html

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R: É o homem. Baba-se, rasteja, tem "palitos" e pensa que a casa é só dele!
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