Beleza
Seguir Adiante - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: Não Aprendi a Dizer Adeus
(Leonardo)


Achei no blog Palavras Soltas a frase que eu precisava para abrir este artigo: ?Um ?não? dito com convicção é melhor e mais importante do que um ?sim? dito meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complicações?.
E como está complicado. Falta de inspiração, falta de motivação e, acima de tudo, falta de disposição para continuar. Preciso de um tempo para pensar na vida e reavaliar. Preciso de tempo para renovar e seguir adiante.
Há algum tempo, o leitor Michel escreveu em um comentário que eu não esquecesse que sou responsável por quem cativo. Fiquei completamente assustada. Não, não sou responsável e não quero ser. Nem uma mãe é responsável por seus filhos indefinidamente. Por que então seria eu responsável por meus leitores quando eu já não quero mais ser? E quem seria responsável por mim?
Ler meu blog não é um compromisso assumido por vocês. Meus leitores vão e vêm. E eu também preciso exercer este direito, já que nunca assumi o compromisso de escrever este blog para sempre. Todo mundo tem seus períodos e eu também. E este é o período de parar. Por um tempo? Para sempre? Nem eu sei.
Conheci muita gente legal e umas nem tanto. Aprendi muito e ensinei também. Agora, sinto como se tivesse fechado um círculo, sem a menor possibilidade de expansão. Não é uma crise, não é um ataque, muito menos necessidade de chamar atenção. É o contrário. Preciso me fechar em mim mesma e respirar. Achar novos caminhos e outras soluções.
Portanto, nada de choro ou velas. Nada de tentar me convencer a fazer o contrário. Sem cobranças, por favor. Só o que eu preciso agora é compreensão.
Vou guardar os e-mails de quem está cadastrado no grupo. E prometo que, se um dia, eu resolver voltar, esses serão os primeiros a saber.
Até lá, divirtam-se. Procurem novos blogs, escrevam um blog vocês mesmos, dediquem-se a outros hobbies. Exatamente o que eu farei.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/10/seguir-adiante.html
O Sol dos Trópicos - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: O Sol dos Trópicos
(Gilbert Montagné)


(Veja aqui a tradução da letra)
Como contei anteriormente, perdi a vontade de viajar. Principalmente, viagens longas e que incluam avião. Só que ainda preciso de férias. Agora, mais do que nunca. De preferência, férias bem relaxantes, sem nenhuma preocupação. Encontramos a solução há alguns anos, seguindo a sugestão de uma conhecida: Club Med. Tudo em um lugar só e por um preço acessível se você puder viajar em baixíssima temporada. E, ainda por cima, bem perto de casa: somente uma hora de carro da minha casa até Mangaratiba. E o celular pega e não pago roaming. E, se eu precisar, tenho internet. Custa uma fortuna - o que não deixa de ser bom, já que eu estou lá para descansar e não para trabalhar.
A primeira vez que fomos ao Club Med, escolhemos o Village de Itaparica. Ainda não era a opção ideal, apesar de tudo de bom que curtimos por lá. Tinha a espera no aeroporto, as três horas de vôo daqui para Salvador, uma viagem de van de meia hora até o cais, uma viagem de barca de uma hora e meia e mais outra meia hora do cais de Itaparica até o Village. Fico cansada só de lembrar. E o pior: nossa máquina fotográfica deu pau ainda na barca e não temos uma foto sequer daquela semana fantástica.
Foi lá que deixei minha vergonha de lado e fui aprender a jogar tênis. Eu e mais uns 15 que nunca tinham pego em uma raquete. Minhas bolas não chegavam na rede e o coro de ?precisa de Nescau? era, no mínimo hilário. Nunca pensei que pudesse me divertir tanto fazendo exercício. Marcelo, o G.O. do tênis, tentando me incentivar, disse que eu precisava liberar minha raiva. Ganhou um copo de água gelada na cabeça. Garrido, o outro G.O. do tênis, ainda mantém contato conosco até hoje, pelo Orkut. Ainda não conseguimos marcar uma partidinha para ele ver com os próprios olhos que, agora, minha bola atravessa a quadra, saindo pelo fundo, muitas vezes.
Depois daquela primeira vez, mudamos de Village. Itaparica por Mangaratiba. Além da vantagem da distância, Mangaratiba, como aqueles que acompanham esse blog já sabem, foi onde eu cresci. É muito bom poder sentar na praia e ficar vendo a ?minha? ilha. Pena que, algumas vezes, tantos navios cargueiros enfeiem a paisagem...
Conheci por lá pessoas muito especiais. Ganhei até uma "filha", a Biazinha. E alguns leitores. Pena que a maioria dos G.O.s que conheci no ano anterior já não esteja no Club quando eu volto, mesmo sendo apenas 1 ano depois.
Nossa primeira ida ao Village Rio das Pedras foi na mesma época da novela ?O Clone?. Coincidentemente, o chefe do Village era um marroquino chamado Said. Podem acreditar em mim. O homem era tudo de bom: beleza, simpatia, acessibilidade. E um excelente comediante, que participava ativamente dos shows noturnos para os hóspedes. Infelizmente, Said não está mais conosco. Logo depois, ele foi transferido para a Bahia, para inaugurar o Village de Trancoso. Em uma de suas viagens entre Itaparica e Trancoso, seu avião caiu. Vi pela TV, no Jornal Hoje, e não acreditei. Sinto falta dele até hoje. Ainda não conheci outro chefe de Village igual. Mas, conheci um, o Daniel - em maio deste ano (vocês nem sentiram a minha falta, né?) - que tenho certeza que vai chegar lá.
Passo o ano sonhando com o que vou fazer quando chegar lá. Principalmente com o que vou comer. Principalmente os pães. É que lá tem o José. Um português com uma super mão para fazer pães. Não posso chamá-lo de padeiro porque o Ric me mata. José, assim que me vê por lá, se programa para fazer pães de chocolate. Com recheio de chocolate branco, com massa de chocolate preto e recheio de chocolate branco, todo de chocolate preto. Este ano, José se superou. Fez uma foccacia de lamber os dedos. E um pão de alho de comer rezando.
Ainda por cima, tem a boutique. Ric diz que o Club Med para mim é uma boutique com um clube em volta. E é mesmo. Tem sempre coisas legais e a preços acessíveis, principalmente se eu tiver paciência de examinar, todo dia, as ofertas do dia. E é, sem dúvida, o melhor lugar do mundo para comprar saias de tênis. Ótima qualidade e um hiper preço.
É isso, minha gente. Depois de ter o passaporte bastante carimbado, descobri que não preciso ir muito longe para ser feliz. Entre meus fins de semana no Hotel Pedra Bonita e minha semana anual no Club Med, recarrego as baterias. Fico pronta para mais um período de rotina e vida normal.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/09/o-sol-dos-trpicos.html
Beaucoup de glaçon! - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: La Vie en Rose
(Edith Piaf)


(Veja aqui a tradução da letra)
Ah, Paris! Lá se vão 10 anos. Inesquecível por vários motivos. O primeiro e mais óbvio: Paris é a cidade mais linda que já conheci. O segundo: foi minha primeira viagem em classe executiva, quando fiquei estragada para sempre em matéria de avião. E o terceiro: eu não falo nada de francês, portanto seria muito difícil fazer o que eu mais gosto: interagir e bater papo com os nativos. Eu ainda estava sofrendo as conseqüências da morte da minha mãe dois anos antes e tinha medo de tudo, inclusive de morrer de um ataque cardíaco fulminante a qualquer momento e não conseguir dizer para ninguém que estava morrendo. Então, eu ficava dentro do quarto, esperando o Ric voltar das reuniões dele, lá pelas 5 da tarde, para nós sairmos para passear. A minha sorte era que estávamos em agosto, pleno verão europeu, e só escurecia lá pelas 10 da noite.
Paris é linda até nos detalhes. Da minha janela do hotel, eu podia passar horas olhando as sacadas dos prédios em volta, cada uma trabalhada de maneira diferente. Paris estava suja e, para não ver a sujeira, eu olhava para cima. Para os prédios, para as lojas, para as pessoas.
Eu, muito acostumada com o estilo de vida americano, sou viciada em coca-cola com gelo, muito gelo. Descobri bem rápido que, em Paris, cada coca-cola custava uns 4 dólares e estavam sempre quentes. Nas máquinas, nos restaurantes, até no Burger King. E como se diz ?gelo? em francês? Bom, eu precisava descobrir. Sentei no bar do hotel, pedi uma coca e comecei a conversar com o bartender, em inglês. ?Pode me dar gelo?? e ele me deu uma pedra de gelo furada. ?Mais?. Ele olhou para mim meio desconfiado e colocou outra. Eu, muito firme:?mais?. Ele, muito a contragosto, colocou mais uma pedrinha. Abri um sorriso e perguntei ?como se diz isso em francês?? ?isso o que?? ?gelo, muito gelo?. Ele, com a certeza de eu era maluca, me ensinou: ?glaçon, beaucoup de glaçon?. Fiz o pobre repetir algumas vezes e saí feliz, mesmo tendo sido a coca-cola mais cara da minha vida. Dali pra frente, eu saberia pedir o que queria.
Quer me torturar? Me deixe sem conversar com alguém. Eu converso com qualquer pessoa que pare ao meu lado. E isso era simplesmente impossível em Paris. Quem mandou não falar francês???? Ric me levou na Torre Eiffel. Uma fila quilométrica. Na minha frente, um rapaz lia um jornal italiano cuja manchete era sobre o Ronaldo Fenômeno. E eu comecei a tagarelar com o Ricardo sobre o Ronaldinho - que ainda não era ainda a estrela que se tornou. O rapaz entendeu que eu estava falando do Ronaldo e de outros jogadores brasileiros e puxou conversa comigo. Fiquei toda feliz.
Era 1997 e todas as lojas de Paris já estavam cheias de produtos para a Copa de 1998, na França, aquela que o Brasil perdeu na final. Claro que saí de lá com a minha camiseta francesa da seleção brasileira. Claro que, um ano depois, ela estava bem enfiadinha no lixo.
Gente, estava um calor insuportável, até para os meus padrões cariocas de viver. E Paris fedia a suor, a ranço. Entrar no metrô era um ataque olfativo. E a coisa só fazia piorar porque, junto com o seminário do Ric, acontecia o encontro de jovens católicos com o Papa. A cidade estava lotada de garotos e garotas, acampados em escolas, em igrejas, em bandos - e sem banho. Esta superpopulação fedorenta me incomodou a tal ponto que eu convenci o Ric a adiantar a nossa volta em um dia.
Na véspera de viajar, eu precisei de fita adesiva para embalar uns pacotes. Resolvi ir pedir na recepção do nosso hotel, onde trabalhava ? Deus é pai! ? um português. Com um ?volto já? para o Ric, eu desci. Na saída do elevador, trombei com um armário 2m x 2m. Um homem enorme, preto que só ele. Eu, distraída e no automático, pensando como eu ia me explicar se eu não achasse o português, soltei um ?I?m sorry? e tentei seguir em frente. Ele me deteve, perguntando ?Do you speak English??. E eu ?Yes, I do?. ?Graças a Deus, alguém que fala a minha língua!? disse ele. Quase uma hora depois, desce o Ric, preocupado, atrás de mim e me encontra no maior papo com o americano, os dois incrivelmente felizes.
Paris! Ah, Paris! Até hoje não voltamos lá. Quem sabe um dia? Só preciso prestar atenção no calendário de eventos. Ou ir na primavera. Deve ser ainda mais lindo... Com certeza, deve ser mais cheiroso.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/09/beaucoup-de-glaon-sil-vous-plais.html
Bienvenidos a Cayo Largo - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: Bella Maria de Mi Amor
(Antonio Banderas - The Mambo Kings)


Fui a Cuba antes de casar. Para ser mais precisa, foi minha última viagem de solteira. Do dia em que aterrisei de volta no Brasil em diante, posso contar nos dedos os dias em que fiquei longe do Ric.
Fomos eu e minha mãe em uma excursão de brasileiros com duração de uma semana. Nossa viagem incluía estadias em Havana e Varadero. Não me lembro de nossos companheiros de viagem, mas lembro, como se fosse ontem, do grupo de estudantes de Letras que encontrei durante a visita ao Muséo de la Revolución. Lembro de ter me apaixonado por aquele povo simples, prestativo, simpaticíssimo e cheio de necessidades.
Cuba, mesmo tendo parado no fim dos anos 50, é linda. Não sei como está Cuba hoje, pois lá se vão uns 17 anos que estive lá. Naquela época, tinha lojas separadas para os turistas e para os cubanos. As dos cubanos não tinham nada. E as dos turistas não tinham nada que viesse dos Estados Unidos. Coca-cola? Não havia. Tinha uma Pepsi importada não sei de onde e um refresco de cola feito por lá mesmo, base do Cuba Libre que nunca bebi outro igual na minha vida.
Eu poderia ficar aqui horas descrevendo os prédios, as propagandas anti-imperialismo, o La Bodeguita com o autógrafo de Hemingway. Mas, vocês perderiam o melhor. Nossas aventuras em solo cubano, nosso contato com o povo.
Bom, Cuba não tinha os melhores meios de comunicação do mundo e ainda não tínhamos entrado na era da internet em 1990. Ninguém conseguia nenhum contato com o Brasil. Até que um dia, a las siete de la mañana, toca o telefone do nosso quarto de hotel. Minha mãe, que não agüentava ouvir um telefone tocar, atendeu. Com um bico enorme e um tanto de inveja, ela me disse: ?é pra você?. Era o Ric, até então persona non grata para minha mãe. Falamos por uns 15 minutos, eu aos sussurros para a minha mãe não ouvir. Quando desligamos, minha mãe se vira para mim e diz: ?É, ele deve gostar mesmo de você. Seu pai não se esforçou.? E eu: ?Mãe, ele deve ter ido na telefônica ligar.? ?Como eu disse, ele deve gostar mesmo de você.?
Minha mãe foi a estrela da festa daquela viagem. Muito loura, muito queimada de sol e com os olhos bem verdes, vivia levando cantada dos cubanos no meio da rua. Teve um até que nos parou para declamar um poema para ela. E ela, boba, achando que era tudo para mim.
Minha mãe era uma piada. E era também do tipo que achava que viagem não era para ficar dormindo em cima de dólares. E me arrastava atrás dela. E lá fomos nós numa lanchinha para a ilha das iguanas. A idiota aqui achou que era mais uma ilha. Não era. Era literalmente a ilha das iguanas. Só tinha iguana lá. (Pausa Discovery Channel: clique aqui para saber o que é uma iguana). E as iguanas são nojentas e feias. Eu tinha duas escolhas: ou ficava na lanchinha ? e eu enjôo fáaaacil ? ou descia e aturava aqueles bichos subindo nos meus pés. A lanchinha. Melhor enjoar do balanço. Graças a Deus, durou pouco a paciência do pessoal com aquelas coisas e não precisei esperar muito.
Um dia, a mamãe, que era metida a guia turístico, decidiu que nós duas tínhamos que atravessar toda Varadero para conhecer um resort de luxo ? o único naquele tempo ? para que ela pudesse recomendar para as amigas. Chamamos um táxi. 15 minutos, nada. Meia hora, nada, a não ser a irritação da minha mãe. 45 minutos e ela reclamando a plenos pulmões, quando se aproxima de nós um negão enorme, um sorriso dourado estampado no rosto. Não, eu não errei. Um sorriso dourado literalmente. Era moda por lá naqueles tempos, incrustar desenhos com ouro nos dentes. Aquele tinha uma estrela no dente da frente. Eu olhei para a minha mãe, pronta para bater o recorde dos 100 metros, e minha mãe olhou para mim e olhou para o negão que nos oferecia uma carona até o tal resort do outro lado da cidade. Minha mãe já aceitando. E eu pensando que ela tinha enlouquecido de vez. Onde estavam todas as regras de nunca entrar num carro com um desconhecido que pode sei lá o que??? Entramos as duas num Gordini (meninos com menos de 30 anos, Gordini é um carro, para ver a foto clique aqui), cheio de penduricalhos, tão cheio que não dava para ver nada pelo vidro traseiro. Sabendo das dificuldades daquele povo, oferecemos pagar pela carona. Nosso motorista se sentiu insultado. Era um prazer para ele levar em seu carro duas damas tão bonitas, mas se nós tivéssemos um cigarrinho... Imediatamente, minha mãe abriu a minha bolsa e entregou a ele todos os cigarros que ela achou lá dentro. Depois, ela pagou 5 dólares por alguma coisa parecida com Marlboro lights para mim.
Minha mãe também decidiu que, em uma viagem a Cuba, não poderia faltar uma visita a Cayo Largo. Uma ilhota perfeita para mergulhadores ? nós duas nem sabíamos nadar, imagina mergulhar! ? águas clarinhas e quentes. Tínhamos que pegar um avião em Varadero, passar o dia lá e voltar. Minha mãe, a guia, resolveu tudo. E lá estávamos nós, na hora marcada, vestidas para ir à praia, no aeroporto. Minha mãe era só felicidade até ver o avião. ?Como assim? Tem que entrar por trás?? Sabem aqueles aviões russos que embaixo da cauda abre um escada? Era um deles. Dentro do avião, a coisa piorou. O bicho era todo de madeira. E quando ligaram as turbinas, minha mãe ficou branca. Começou a sair uma fumaça tipo gelo seco de tudo que foi lado. Ela agarrou o braço da aeromoça (não era comissária de bordo, não) que explicou que aquilo era o sistema de refrigeração e deixou umas balinhas, tipo bala Soft, nas mãos da minha mãe. As balinhas eram o serviço de bordo. Nem preciso dizer que era eu que estava na janela, né? A minha mãe tinha certeza que aqueles eram seus últimos minutos de vida. O piloto anuncia a chegada e a eminente aterrisagem. Eu olho para fora e vejo uma choupana! Uma choupana! Cadê a pista???? Só esqueci de calar a boca. E minha mãe: ?Como assim ?cadê a pista?? Você tem certeza que este avião vai conseguir parar? A gente vai morrer, né?? ?Quieta, mãe, foi você que inventou isso e a gente ainda tem que voltar.? Fora do avião, o aeroporto era mesmo uma choupana, com uma pista de terra batida, uma banda de boas vindas e coquetéis. Entramos em um ônibus, conhecemos praias maravilhosas, almoçamos em algum lugar e fomos avisadas que deveríamos estar dentro do ônibus às 4 em ponto. Não preciso dizer que minha mãe se atrasou. Porque ela não ia a lugar nenhum sem fazer xixi antes. E perdemos o ônibus. Minha mãe, histérica, conseguiu que nos levássemos ao aeroporto, mas perdemos o vôo também. E tínhamos que esperar o próximo, dali a umas duas horas. Meia hora depois, já sabíamos que a banda era animadíssima, tocavam sem parar. O problema é que eles só tocavam uma música e a música só tinha uma frase: ?Bienvenidos a Cayo Largo?. Minha mãe lá, cantando junto, balançando a cabeça. E eu, bem, com dor de cabeça. Ainda por cima, o aeroporto era infestado de umas moscas enormes. De repente, eu só vejo um mãozão vindo na direção da perna da minha mãe (ainda de saída de praia, a canga daqueles tempos). Só deu tempo de eu arregalar os olhos e plaft! O mãozão deu um tapão na perna nua da minha mãe, que ainda cantava, distraída. A cara da minha mãe não dá para descrever. Do sorriso amarelo/dourado do cubano não esqueci até hoje. O grito indignado de ?Que p... é essa?? só não calou a banda. E o cubano, muito humilde, respondeu ?una mosca!...?
Depois de uma viagem de 24 horas, chegamos ao Brasil. Presas no aeroporto de São Paulo, minha irmã me conta pelo telefone que o Ricardo, ao contrário de todas as minhas ordens e sem ligar a mínima para a má vontade da minha mãe, estava indo para o aeroporto para me ver. Foram 3 horas ouvindo a minha mãe reclamar que o Ricardo não tinha nada que estar no aeroporto. Chegando ao Rio, não tinha um carrinho sequer para nossa bagagem. Eu, num mau humor cão, fui deixada esperando pelas malas enquanto a minha mãe ia lá fora, conseguir um carrinho. E viu todo mundo: meu pai, minha irmã, uns amigos dela e o Ricardo. Volta ela toda serelepe, empurrando o carrinho: ?Ele está lá fora. Vê se consegue ser simpática.? Eu não disse mais nada. Não sei como foi o encontro deles, só sei que, a partir daquele dia, para a minha mãe foi ?Deus no Céu e Ricardo na terra?.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/09/bienvenidos-cayo-largo.html
Raízes - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: HaYalda Achi Iafa BaGan
(Yehudit Ravitz)


(Veja aqui a tradução da letra)
Minha mãe era uma sionista nata. Acreditava em Israel, trabalhava por Israel e, se tivesse dependido só dela, nós todos teríamos nos mudado para lá quando eu tinha 5 anos. Meu pai não quis. Nós não fomos. E minha mãe batalhou, por toda a vida dela, pelo que ela acreditava, por seus valores, por seus princípios, entre eles o de passar para nós, eu e minha irmã, um pouco deste sentimento tão forte nela. Um dos caminhos foi despachar suas meninas para lá para que conhecessem e, quem sabe, se apaixonassem por aquele país tão especial.
Telma, minha irmã, foi para lá quando fez 15 anos (eu fui para a Disney). Era um programa em uma escola agrícola com duração de 2 meses. Uns 15 dias depois de ter chegado lá, Telma foi andar de patins sobre cera. Na hora de devolver os patins, Telma caiu e quebrou o joelho. Levada para o hospital, foi operada, fez fisioterapia, tudo por conta dos planos de saúde públicos de Israel. Minha mãe ainda insistiu em usar o plano de saúde daqui, proposta rejeitada. A obrigação era deles. Telma voltou para cá ainda de muletas e percorreu um longo caminho para ficar boa. A opinião de todos os médicos ortopedistas e fisioterapeutas que trataram dela aqui foi unânime: a técnica deles era nova e certeira. Se ela tivesse sido operada aqui, teria ficado com seqüelas. No ano seguinte, Telma voltou a Israel, para o mesmo programa, desta vez tudo bancado por eles, porque ela não tinha aproveitado nada da viagem.
Desta vez, fomos as duas. Ela para a escola agrícola e eu para a Universidade de Jerusalém e para o kibutz Bror Chail (fundado por brasileiros) para catar laranjas. Íamos em grupos de jovens (eu passei meu 18º aniversário lá), com um jovem um pouco mais velho como responsável por nós. Tínhamos bastante liberdade, mas não toda. Hora para voltar e, principalmente, sem acesso a passaporte para evitar fugas para o Egito, naquela época um país não tão amigo assim, mas que exercia verdadeiro fascínio aos jovens que tinham ido antes de nós.
Durante a semana, freqüentávamos alguns cursos (completamente apagados da memória) na universidade ou trabalhávamos no kibutz. Nos fins de semana, estávamos livres para passear, encontrar parentes, viajar para os outros kibutzim [plural de kibutz] que abrigavam nossos colegas de programa. Como parte do programa, estava também conhecer o país e para isso foram designadas três semanas, um ônibus e um soldado armado.
E, em 1982, o que eu vi foi um país jovem, orgulhoso e de primeiro mundo. Construído do nada no meio do deserto. E com toda a estrutura de um país desenvolvido ? água, vegetação, tecnologia de ponta, projetos sociais que funcionavam, guardião de muita história.
Vi os pergaminhos do Mar Morto, vi o Mar Morto e, de lá, vi a Jordânia, como vejo, da praia de Ipanema, as Ilhas Cagarras. Vi tanques estacionados na rua como aqui se estaciona carros. Entrei em um ônibus lotado de árabes e um punhado de soldados israelenses, tão jovens quanto eu, voltando para o quartel depois do fim de semana. Cada um na sua. Vi cercas elétricas e faixas de terra ocupadas pela ONU na fronteira com o Líbano. E tirei foto com um pé em Israel e outro em terra de ninguém. Visitei o Museu do Holocausto ? Yad Vashem ? em Jerusalém e, quando saí, sentei no bosque ao redor, e chorei. Chorei por meu avô, por sua família perdida, por todos aqueles que, mesmo não sendo parentes, são, de alguma forma aparentados.
Passeei pelo mercado árabe como aqui passeio no Rio-Sul. Aprendi a regatear, a negociar. Ofereceram 25 camelos por mim e não aceitamos a proposta. Acho que o meu pai não ficaria muito satisfeito com a troca...
Andei pelo Santo Sepulcro, virei a esquina e dei na Mesquita Dourada - onde não pude entrar por ser mulher. Logo adiante, o Muro das Lamentações, onde rezei e deixei os meus pedidos. Tudo tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante.
Comi a melhor pizza da minha vida e peito de frango a milanesa para enjoar pelo resto da vida. Tive dor de barriga por causa do leite. Guardei a manteiga do lado de fora da janela porque não tinha geladeira. Conheci um oásis com uma cachoeira. Fiz amigos. Alguns para o resto da vida, outros perdidos ao longo do caminho.
E voltei com uma certeza. Não era o lugar onde eu queria viver. Naquela época, aos 18 anos, eu ainda sonhava em ter filhos. E não conseguia me imaginar criando meus filhos para serem soldados, para irem para a guerra. Besteira minha. Não tive filhos e, se tivesse tido aqui, no Rio de Janeiro, não os teria livrado de nada, a não ser do treinamento profissional e de um motivo válido para lutar.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/09/razes.html
Na Esquina do Mundo - 2008-09-26 03:49

Música da Semana: Memory
(A.Loyd Weber)


(Veja aqui a tradução da letra)
Nova York é e sempre foi a minha cidade favorita no mundo. Uma cidade diferente. A única cidade no mundo onde o meu objetivo principal não é fazer compras. Não gosto de fazer compras em Nova York. Lá é tudo mais caro e tem tanta coisa para fazer e para ver que me sinto perdendo tempo dentro de lojas.
A primeira vez que fui a Nova York foi em 1988. Eu, minha mãe e mais um grupo de brasileiros que se perdeu na memória. Era uma excursão da finada Soletur por todo o leste dos Estados Unidos. Começando em Miami, subindo pela costa, entrando por Washington D.C. e terminando em Nova York. Tudo de ônibus. Entramos em Nova York, estranhamente, cantando a música Memory, do musical Cats, aquele que iríamos assistir em poucos dias. Hoje em dia, choro cada vez que ouço esta música, lembrando da minha mãe, embora eu já tenha visto o espetáculo mais duas vezes além daquela.
Em nossa primeira noite na cidade, nosso guia tirou folga e nos deixou sozinhos. Fui eleita a guia substituta. E liderei meu grupo, como uma perfeita novaiorquina, à pé, pelas ruas da cidade, do nosso hotel até o Empire State. Juntamos o dinheiro, comprei as entradas e fui tão convincente que não precisei pagar a minha. Subi com o crachá de guia. Lá de cima, eu apontava e apontava. Era como se eu sempre tivesse morado lá.
Estive em Nova York várias vezes, perdi a conta. E, em todas as vezes, Ric sempre se surpreendia com o meu senso de direção. Saía do metrô e dizia ?é por ali? e nunca, nunca errei.
Eu, que todos aqui já sabem ser uma grande preguiçosa, sou capaz de andar por horas pelas ruas de Nova York, sem me cansar ou reclamar. Descer a 5ª. Avenida do Metropolitan até a Union Square. Isso dá quase 70 quarteirões. Sou capaz de ficar horas dentro do Metropolitan ? no atrium, no terraço e até nas salas. E eu detesto museus. Adoro descobrir lugares novos e ir atrás de endereços famosos. Via em filmes e ia anotando para a minha próxima viagem. E sempre tinha alguma coisa diferente para ver.
Já fui no Natal e no Ano Novo. O Natal é maravilhoso e você ainda pega a maior liquidação do ano, nos dias antes do Ano Novo. Já o Ano Novo não tem a menor graça. É frio, é rápido e é sem graça. Já fui na primavera e já fui no outono. Nunca fui no verão porque é caro e quente. Nova York é sempre diferente.
Em uma das vezes, meu primo Seth, americano legítimo, estava morando lá, depois de uma temporada na China. Ele e sua esposa, Hong, nos convidaram para um almoço em Chinatown. Foi a melhor comida chinesa que já comi na minha vida. Seth traduzia para o inglês tudo o que pedia e Ric traduzia para mim quando eu me enrolava. Era um almoço dim-sum, uma espécie de rodízio de comida chinesa. Uma super delícia completamente diferente da comida chinesa que temos aqui. Hong explicou que aqui se come comida mandarim e lá estávamos comendo comida cantonesa. Algo assim como comida baiana e comida mineira, embora tudo seja comida brasileira.
Neste mesmo almoço, dissemos ao Seth que queríamos fazer um programa tipicamente novaiorquino. Ele não titubeou. Passem o domingo no Central Park e façam um piquenique por lá. Foi sem cesta, toalha quadriculada ou cobertor. Mas a comida foi toda comprada no Zabar?s, uma delicatessen famosa em séries como ?Will & Grace? e ?Mad About You?. Durante nosso piquenique, nós começamos a ouvir uma música ótima. E lá fomos nós. E lá ficamos, ouvindo aquele cantor desconhecido, por toda a tarde. Foi incrível.
Nossa última viagem a Nova York, em novembro de 2000, também foi muito especial. Decidimos aproveitar umas diárias que ganhamos durante nossa longa estadia em Miami - quando o Ric trabalhou lá ? e todas as nossas milhas aéreas e fomos em grande estilo. Classe executiva e hotel 5 estrelas. O hotel ficava na Rua 42, ao lado da Grand Central Station. Para a minha felicidade, descobri que a esquina do hotel era o principal ponto de distribuição de amostras grátis dos mais diversos produtos em lançamento. Preciso dizer que passei lá umas 500 vezes e ganhei uma montanha de amostras?
Parecia que sabíamos que seria a nossa última visita a NY por um bom tempo. Fizemos um monte de coisas que sempre adiávamos por um motivo ou outro, inclusive subir até o último andar do World Trade Center. Daquela vez, encaramos a fila enorme e subimos. Nunca me arrependi. O mais engraçado de tudo é que, pela primeira vez, perdi meu senso de direção. Saímos do hotel e pegamos o metrô até a estação WTC, dentro do complexo das torres. Nossa intenção era, antes de subir, ir até uma loja de departamento chamada Century 21, próxima ao complexo. Eu simplesmente andava por aquele labirinto de corredores e não conseguia achar uma saída sequer. Tive que pedir ajuda aos seguranças. Quando voltamos ao complexo, entramos por uma livraria e decidimos tomar um café. Sentamos à uma mesinha perto da janela, com vista para uma igrejinha mínima - e centenária - e seu cemitério particular. Nem a livraria, nem a igrejinha, nem o cemitério existem mais.
E, pouco menos de 1 ano depois, no dia 11 de setembro de 2001, eu via pela TV, aqui em casa, aquilo tudo ruir. E chorava em desespero, imaginando aquelas pessoas perdidas como eu fiquei, sem conseguir sair do prédio. E, quando eu soube que pouco mais de 3 mil pessoas tinham morrido ali, acreditei em milagre, acreditei em Deus, acreditei na sorte dos seres humanos.
Ainda não estou pronta para voltar lá. A minha cidade favorita. Aquela onde eu nunca quis morar para que o encanto não se perdesse.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/08/na-esquina-do-mundo.html
Cinco Estrelas - 2008-09-26 03:49
Música da Semana: You've Got A Friend
(Carole King)


(Veja aqui a tradução da letra)
Eu sempre disse que no dia em que eu ganhasse na Mega-Sena, eu me mudaria para um hotel 5 estrelas. Esta idéia se concretizou no período que passamos em Coral Gables, bem do ladinho de Miami. Foram dois períodos de uns dois meses cada, vivendo num quarto de um hotel luxuoso. Uma maravilha. Não precisava me preocupar em fazer supermercado ou cardápio da semana. Não precisava me preocupar se a empregada vinha ou se tinha ficado doente. Não precisava arrumar a cama nem lavar a louça. E ainda tinha termostato no quarto, motivo de briga constante entre mim e o Ric. Descobri que a temperatura ideal para mim é 17 graus e ele descobriu que a dele é 23 graus. Meio incompatível, mas tudo bem.
Com um carro à minha disposição, venci ? de novo ? meu medo de dirigir e saí pelas ruas de Dade County. Uma vez, cheguei a ir visitar sozinha uma amiga em Miami Beach, passando por highways e tudo e sem nenhum celular. Foi uma vez só, para nunca mais, é verdade. Na volta, peguei uma chuvarada que não dava para enxergar um palmo adiante do carro. Eu parecia aquelas velhinhas de 90 anos dos filmes americanos, toda curvada, dirigindo a 20 km/h. Cheguei no hotel com tanta dor no pescoço que quase que desisti de dirigir de vez. Não deu. Da minha janela, eu via uma Sears enorme. Resolvi ir à pé até lá. Parece que este não era bem o hábito local, pois todos me olhavam bem estranho.
E então, eu pegava a banheirona de novo e lá ia eu, cada vez um pouquinho mais longe. Até o shopping pequeno, depois um pouco além até o Mc Donalds e, finalmente, até o shopping grande.
Mas, o que me marcou mesmo nesta viagem não foram os lugares ou as compras. Foram as pessoas.
Re-encontrei uma colega de escola que eu não via há uns bons 20 anos. Nos encontramos, por acaso, dentro de uma loja de departamentos, comprando presentes de Valentine?s Day (dia dos namorados de lá). Saímos para almoçar e colocar a conversa em dia.
Conheci a Rosita, a arrumadeira do nosso quarto. Rosita tinha nascido no Haiti. Falava três línguas ? francês, inglês e crioulo - e estava aprendendo a quarta ? o espanhol ? que ela treinava comigo e eu treinava com ela. Ela contou que tinha estudado pouco e trabalhado muito, mas que tinha realizado o seu grande sonho: seus 4 filhos estavam na universidade e um deles seria médico. Eu adorava a Rosita e a Rosita me adorava. Tomava conta de mim, se preocupava comigo, colocava shampoos e café especiais, me enchia daquelas besteirinhas que ela tinha no carrinho. Um dia, deixou que eu fuçasse o carrinho dela. Que glória!
Quando voltamos para a segunda estadia, na hora do check-in, perguntei pela Rosita e pedi para ficar no andar dela. Quando nos encontramos, foi um monte abraços e beijos. Assim como no dia em que contei à Rosita que não voltaríamos mais porque o Ric tinha mudado de emprego, choramos as duas. E prometemos nunca esquecer uma da outra. Estou aqui cumprindo a minha parte.
Rosita não foi a única pessoa especial que conheci naquela viagem. Conheci também o Bob Russo. Bob, um americano descendente de italianos do Brooklin, era o novo chefe do Ric. Bob e sua esposa, Shirley, acabaram por se tornar amigos muito especiais, por quem temos um carinho enorme.
Com Bob, aprendemos um novo conceito para o que é ser chefe. Bob fez o Ric ver que a empresa não vem antes de tudo, que antes vem a amizade, a consideração pelo ser humano que compõe a força de trabalho de uma empresa. Bob me ensinou a gostar de comida mexicana e a provar comida tailandesa. Eu mostrei a Bob que Deus não esquece da gente, mesmo que a gente deixe Ele de lado por um tempo. De Bob e Shirley, ganhei uma caixa de chocolates Godiva que guardo até hoje com muito carinho. Só a caixa. Os chocolates já acabaram há muuuuuuito tempo. (É a caixa que aparece na foto acima).
Foi uma época muito especial. Diferente de tudo o que eu já vivi. Um tempo que, como muitos outros, não volta. E deixou saudades. Nunca imaginei que um dia eu fosse sentir saudades de Miami, tão sem graça. Estou sentindo hoje.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/08/cinco-estrelas.html
Cidade dos Sonhos - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 11 leitores: 4,5 (de 1 a 5)

Música da Semana: Alaska and Me
(John Denver)


(Veja aqui a tradução da letra)
Eu sempre tive dois sonhos de lugares para conhecer: St. Petersburgo, na Rússia ? ainda em lista de espera ? e o Alaska ? metade realizado. Metade porque tudo o que eu consegui foi fazer um cruzeiro de 7 dias pela costa, conhecendo só 4 cidades. O que eu queria mesmo era conhecer o interior, chegar bem lá no norte, assistir à aurora boreal. Não consegui convencer o Ric, friorento declarado.
Não estou reclamando, não. Antes pouco do que nada. E ainda descobri que lá no Alaska é definitivamente o lugar certo para eu viver. Claro que o Ric acha que eu estou ficando completamente maluca, mas, como tudo não passa de um sonho, não vou ficar discutindo com ele.
Aquela viagem foi especial por vários motivos. Primeiro, o sonho. Depois, entrar e ficar em um navio. Nas minhas maluquices, eu tinha certeza que tinha morrido no Titanic. Passei meses me preocupando de ter um ataque de pânico e não querer entrar no navio. E o gelo? E se o navio batesse em algum iceberg? E se? E se? Desta vez, quem quase enlouqueceu foi o Ric que não tinha explicações científicas suficiente para me convencer.
Nossas férias eram marcadas com muitos meses de antecedência e não foi diferente desta vez. O que foi uma enorme sorte. Reservei uma cabine bem baratinha, a mais barata que tivesse janela. Ric disse que não era bem uma janela, só uma vigia e jurou que eu poderia abri-la sem inundar o quarto. Tudo pago, era hora de começar a ler folhetos, fazer planos e outras coisas. De repente, liga o agente. Para avisar que eu tinha ganho um upgrade. Fomos para o andar de cima. Uma janelinha um pouco maior. E ele ligou de novo e de novo e acabamos, sem pagar um centavo a mais, em uma super cabine-suíte, com direito a porta e varanda!!!!! Beeeeeeeem acima da linha do mar, com ante-sala e banheira de hidromassagem dentro da cabine. Nem preciso dizer que o Ric mal freqüentou a varanda, ao contrário de mim, que adorava ficar lá deitada na espreguiçadeira.
Gente, adorei o navio! Tanta coisa para fazer e tão pouco tempo... Perdi um tour pela cozinha porque era no mesmo horário do curso de perfume. E eu adoro perfume. E aprendi um monte em uma manhã. E foi o que ficou mais gravado em minha mente daquele navio. A aula e a loja de perfume. Ah, sim! E as noites muito bem dormidas.
Mas, estou aqui para falar do Alaska e não do navio. Demorei 3 dias ? o cruzeiro era de 7 dias ? para conhecer um alaskiano legítimo. Descobri que muito poucos vivem por lá, emigrando para o sul assim que tem idade para freqüentar a universidade. Descobri também que a maioria da população é como os gansos. Vivem no Alaska no verão, quando as temperaturas são mais amenas (não passa de 15 graus) e o turismo explode, e passam os meses de inverno na Flórida ou na Califórnia.
Os que resistem sofrem com tempestades de neve que podem durar até 3 semanas, muitas vezes sem conseguir sair de casa por todo esse período. E eu virava para o Ric, olhinhos brilhando, ?vai... vamos mudar para cá!? Ele nem se dava ao trabalho de responder.
Até que chegamos em Skagway. Uma cidade mínima. 4 x 4. Quer dizer, literalmente 4 quarteirões por 4 quarteirões. Sem hospital ? só uma equipe de paramédicos. Um mercado, uma locadora de vídeo - e todos se conhecem. Mil vezes menor que o bairro em que moro aqui no Rio. Do alto do mirante, a cidade coube em uma foto. E eu lá, toda enrolada em um monte de casacos ? era verão, temperatura de 8 graus, chovia uma chuva bem fininha e eu estava com uma super crise de sinusite ? e extasiada, ?é aqui que eu quero morar?. Ric nem pestanejou e começou a sonhar também. Falamos da nossa casa, da lareira, dos livros, dos vídeos, até de marshmallow assado. O médico mandou não contrariar...
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/08/cidade-dos-sonhos.html
Viagens da Mente - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 13 leitores: 4 (de 1 a 5)

Música da Semana: Moon River
(Henri Mancini)
no MP3 uma colagem das versões de B.Streisand, F.Sinatra e Jane Duboc


(Veja aqui a tradução da letra)
Esta semana, lá estava eu meio desanimada, por estar de novo com estoque baixo de textos novos e sem inspiração. Mas nada como dois dias com uma noite no meio! E veio à tona uma promessa feita a alguns leitores há algum tempo: falar sobre os lugares do mundo que já visitei.
É. Já viajei muito. A maioria das vezes acompanhando o Ric em suas viagens à trabalho. Muitas vezes, estendendo as ocasiões em alguns dias de férias. Estava sempre com o passaporte em dia, preparava nossas malas num piscar de olhos e lá íamos nós. Só que isso já faz algum tempo. Nossa última viagem para o exterior foi em 2000. Hoje em dia, meu visto americano está expirado e o meu passaporte também.
O 11 de setembro foi a última gota. Era insuportável pensar em Nova York, sempre a minha cidade favorita, naquele caos, aquela desconfiança. E decretei: só volto aos Estados Unidos no dia em que Mr. Bush voltar definitivamente para o Texas.
Ultimamente, o copo só vem transbordando. Não posso nem pensar em ficar horas em filas nos aeroportos ? aqui por causa da bagunça e lá fora por causa da segurança. Não vejam críticas nas entrelinhas. O claro e explícito é que perdi a paciência. O mais engraçado é que, muitas vezes, quando entrávamos no avião, eu perguntava ao Ric: ?e quando a gente chegar aos 40, 50 anos? A gente vai continuar viajando, né?? E ele, confiante como sempre, dizia; ?claro que sim, a gente adora viajar?. Não foi tanto assim, mas mais por minha escolha.
Não sou uma viajante fácil, daquelas que coloca uma mochilinha nas costas e sai pelo mundo. Preciso de muitos confortos ou acho melhor ficar em casa. Preciso de um bom hotel, preciso de gift shops, preciso de coca-cola gelada, mesmo que eu tenha que pagar 4 dólares por ela. Preciso de banheiro no quarto e uma boa cama. Por tudo isso e muito mais, viajar se torna bem caro para nós.
Culpa da empresa em que o Ric trabalhou por mais de 20 anos que me acostumou com um monte de mordomias! Mas espera; não vou me adiantar e contar agora, não!!!
Então, antes que eu fale demais: nas próximas semanas, vamos todos viajar neste balão. Contarei sobre Paris, Nova York, Cuba, Israel, Alaska e até Miami, um local a cada semana, não necessariamente nesta ordem. Do Brasil, muito lindo, reservo o que eu tenho feito de viagem nos últimos anos. Só que é surpresa.
E, antes que eu esqueça, não esperem dicas turísticas. Vocês lerão sobre como funciona a Mente desta Mulher quando em viagem. As experiências, os micos, as manias. Em cenários diferentes.
Bon voyage! Have a nice trip! Buen Viaje! Boa Viagem!
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/08/viagens-da-mente.html
O Direito de Escolha - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 16 leitores: 4,5 (de 1 a 5)

Música da Semana: Estranha Forma de Vida
(Amália Rodrigues & Alfredo Marceneiro) -
no MP3 por Caetano Veloso, no vídeo um misto fado/jazz/blues


Quando começa a vida? Não existe uma resposta simples. Esta resposta é muito mais cinza do que preto-no-branco.
Não acho que comece na fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Por que? Porque para a vida ser gerada, isso não basta. É necessário que o útero da mãe esteja no ponto certo para abrigar o ovo fecundado ou gravidez não segue.
E uma vez que o ovo esteja bem aderido ao útero já existe vida? Isso depende.
Para muitos bebês sortudos, a vida começa muito antes da concepção. Começa no momento em que mamãe e papai planejam a sua vinda. Para muitos outros bebês, a vida nunca começa.
O que é viver? Será que basta um cérebro e um coração batendo? Pode-se chamar de vida o que as crianças miseráveis levam? Sem comida, sem saúde, sem carinho. Isso é vida?
É claro que você já está se perguntando se eu sou a favor do aborto. Eu, Deborah, não faria um aborto exceto em uma condição. A condição de saber que meu bebê não vai sobreviver por causa de uma doença grave.
?Mas, você ainda não se posicionou, né, Deb?? Não. Vamos por partes. ?Você é a favor da legalização do aborto?? Por incrível que pareça, nos casos em que eu aceito aborto, o aborto já é quase legalizado no Brasil. O Artigo 128 do Código Penal, de 1940, permite a interrupção da gravidez quando houver risco de vida para a mãe ou se a gravidez resultar de estupro. Falta ainda legalizar os casos que implicam em não-sobrevida para o bebê.
Ainda não me posicionei o suficiente? Bom, sou absolutamente contra o aborto em casos de gravidez indesejada. Não me interessa se a mãe é rica, pobre ou médio. E não vou me estender mais que isso, falando de planejamento familiar e uso de contraceptivos. Já falei sobre isso no artigo ?A gente se cuida??.
Também sou contra o aborto de mulheres que já são mães de mais de 4 filhos. E não me importa a mínima se elas estão dentro ou fora dos 10% mais ricos do Brasil. Se estiver nesta faixa, deveria ter o bom senso de se precaver.
E se não estiver nesta faixa? Bom, se não estiver, o buraco é um mais embaixo. E mesmo assim sou contra o aborto. Sou contra o aborto porque não acho que seja solução. Vocês que me lêem sabem que sou muito mais a favor de prevenir do que remediar. Neste caso, também.
Pense comigo (deixe de lado o seu ?espírito cristão? só um pouco). Você não acha que o bolsa-família, o bolsa-escola, o fome zero e etc., que dão mais para famílias maiores, estimulam a procriação indiscriminada? É digno viver de esmola? É justo que toda uma população de trabalhadores se veja privada de bons hospitais ou que os professores ganhem tão pouco ou ainda que você não receba o que pagou quando se aposentar porque o governo precisa ajudar os miseráveis? Isto é vida?
?Ah, Deb, falar é tão fácil! E qual seria a solução?? Solução a longo prazo existe sim. Podemos começar por não estimular este tipo de atitude, este modo de vida. A tentativa de ensinar a D. Maria lá do sertão ou a D. Josefa do interior que ter uma penca de filhos só leva à miséria não deu certo? Então, vamos tirar-lhes o poder de decisão. D. Maria e D. Josefa têm mais de 4 filhos e outro na barriga? Ora, doutor obstetra, ligue-lhes as trompas e ainda convidem seus maridos a fazer uma vasectomia! A conta da saúde será muito menor em pouco tempo. A filha mais velha já engravidou aos 14 anos? E agora aos 16 está grávida do segundo filho? Vamos evitar que ela seja uma futura D. Maria! Ligadura de trompas já. É arbitrário? É. Mas, todos precisam comer e precisam de roupa e precisam de educação e precisam de tantas coisas. E se D. Maria não é capaz de dar, apesar de trabalhar de sol a sol na roça e mesmo assim continua engravidando, bom, alguém tem que ser capaz de pensar por ela no melhor para ela e para a sua família. Ou você será capaz de me dizer que o que eles levam pode se chamar de vida? E duvido muito que alguém me apresente um argumento racional melhor do que este para me fazer mudar de idéia.
Quanto aos defensores da legalização total do aborto, bom, respondam-me: D. Maria e D. Josefa ou mesmo suas filhas fariam um aborto por livre e espontânea vontade? Não acredito não. Principalmente porque D. Maria, D. Josefa e suas filhas são tementes à Deus e ouvem os padres de suas paróquias. E não querem arder no fogo do inferno. Será que já não é o suficiente o inferno que ?vivem? aqui?
E para quem ainda tem alguma dúvida, eu tenho mais uma pergunta: basta um hospital decente e um profissional competente para não haver complicações em abortos provocados? E é essa a nossa realidade? Os hospitais públicos estarão realmente capacitados para que não ocorram muitas mortes decorrentes de abortos? Mais do que discutir onde começa a vida, vamos pensar onde começa a defesa da vida?
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/07/o-direito-de-escolha.html
Faltou o manual... - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 33 leitores: 4,5 (de 1 a 5)

Música da Semana: Greatest Love Of All
(Whitney Houston)


(Veja aqui a tradução da letra)
Não sou pedagoga, não sou psicóloga. Não sou mãe nem nunca criei uma criança. Dei muito palpite, exerci alguma influência, escutei algumas coisas, aprendi outras, ponderei mais ainda, mas definitivamente não sou uma especialista neste assunto. Sou mulher, sou filha, tenho algum bom senso.
Claro que já ouvi muito absurdo e de pessoas de nível social bastante alto! A impressão que me dá é que os pais de hoje não criam os seus filhos para que estes construam um mundo melhor. A impressão que me dá é que os pais criam seus filhos para se darem bem, para se safarem da melhor maneira possível.
Outro dia ouvi de uma pessoa que, passando por um problema sério na escola dos filhos adolescentes, chamou-os para dizer-lhes que, não importava o que eles fizessem, mamãe e papai sempre estariam a seu lado e segurariam as pontas. Mamãe e papai vivem uma vida de faz-de-conta. Moram em um apartamento caríssimo, dirigem um carro de luxo, freqüentam lugares acima de suas posses, estão cheios de dívidas. Mamãe e papai têm baixa auto-estima. Gostariam de ter muito mais do que têm. Mamãe e papai criam seus filhos assim. "Tudo bem, filhinhos, vocês podem roubar, usar drogas, traficar drogas. Se forem pegos, mamãe e papai vão dar um jeitinho. O importante é manter as aparências." Aposto com você que mamãe e papai tomam este tipo de atitude com a melhor das intenções, pensando que assim estão fortalecendo a personalidade dos filhos e dando todo o apoio possível. Um pouco mais do que o necessário talvez. Eles não pensam que, com este apoio irrestrito, um dia podem acordar com um filho preso, torturado e morto na cadeia. Eles não pensam que seu filhinho pode, em uma noite de sábado, beber um ?pouco mais?, sair dirigindo, atropelar umas pessoas, bater num poste e acabar, não morto, mas numa cadeira de rodas, sem poder se mexer para o resto da vida. Não, eles não pensam. Só vão se lamentar depois: ?Como aconteceu isso? Um menino tão jovem, tão responsável, nunca fez nada de errado... Por que? Por que??
Outra que me contaram foi a estória de uma mamãe que, em seus tempos de rebeldia, fumou todas e cheirou algumas. Agora, mamãe, adulta e muito responsável, especialista na arte de educar crianças (e não só as dela), descobriu que um de seus pimpolhos estava se rebelando como ela. Mamãe não titubeou. Passou um sermão daqueles bem anti-drogas e não só não admitiu, como negou veementemente, qualquer envolvimento seu com drogas. Esqueceu até de um certo vasinho que ela tinha...
Não acredito em mentiras. Não acredito em criar mitos. Pais são humanos, portanto são falíveis. Pais não são heróis e não deveriam ser vistos assim. Nada como uma boa decepção para acabar com o respeito que se tem por alguém. Pode ser que eu esteja errada, mas não seria mais fácil admitir que já houve um envolvimento com drogas, que a experiência não foi boa por isso ou por aquilo, abrir o jogo mesmo? A gente esquece, depois de adulto, que tudo que é proibido é mais gostoso...
Crianças, ricas ou pobres, deveriam aprender, desde cedo, a ter respeito não só por seus pais e irmãos, mas por qualquer ser humano ou, melhor ainda, qualquer ser vivo. Nunca vou esquecer de uma criança que conheci que mandava ? é, mandava! ? os pais levantarem para ela se sentar. E eles obedeciam! Sempre! Por que esta criança vai se importar com os bancos para deficientes do metrô? Por que esta criança vai se importar com uma mulher grávida ou um senhor de bengala? Ela não aprendeu a se importar com os pais!
Crianças também deveriam ter responsabilidades de acordo com a sua idade. Uma criança de um ano consegue pôr seus brinquedos de volta na caixa depois de brincar. Ela consegue tirar da caixa, não consegue? Uma das minhas melhores amigas tem dois filhos. Desde bem pequenos, algo em torno de dois anos, sempre que eles derrubavam alguma coisa no chão ? leite, suco, água -, tinham que secar. E lá vinham eles, com o pano na mão, para secar o que molharam. Estas mesmas crianças, um pouco mais velhas, aprenderam a arrumar suas camas, independente de a empregada vir ou não, e a pôr seus pratos dentro da pia. Hoje, já adolescentes, cada um tem as suas tarefas dentro de casa.
Não fiquem com pena dos seus filhinhos, achando-os sempre tão pequenos, tão incapazes. Crianças são como esponjas: absorvem todos os ensinamentos - os bons e os ruins. Se você achar seu filho incapaz, ele não terá confiança em si mesmo para dar passos maiores e necessários. Incentive-o. Se você fizer tudo pelo seu filho, ele não vai aprender a fazer sozinho e sempre vai esperar que façam por ele. Cobre resultados. Descubra seus medos, suas inseguranças. Mostre que não existem monstros debaixo da cama. Imponha limites, crie regras. E, se for necessário, quebre-as, mostrando e demonstrando o porquê. Estimule seus filhos, principalmente o que eles têm de bom. Crie novos estímulos através de jogos, brincadeiras, atividades esportivas, terapia. Desenvolva novos talentos. Se você tem um filho violento, por exemplo, ponha-o para praticar esportes onde ele dê vazão a essa violência: boxe, judô, tae-kwon-do, capoeira. Além de canalizar a violência, ele aprenderá a ter respeito pelo adversário, disciplina através dos treinos e, de quebra, poderá se tornar um campeão. Até mesmo o tênis, considerado esporte de elite, ajuda a liberar a violência. Só que o alvo é a bola que, a propósito, não é nenhum ser vivo. É importante que as crianças aprendam, desde sempre, que elas não estão sozinhas no mundo nem que são mais importantes que este ou aquele. Cada pessoa, por mais humilde que seja, tem uma lição a ensinar. Mesmo aquela pessoa mais bronca, mais ignorante. Nem que seja a lição de não fazer igual, de querer ser o oposto. É importante interagir com outras pessoas, de diferentes classes sociais, e respeitá-las pelo o que elas são. É importante saber que existem pessoas diferentes, com necessidades diferentes. Não mantenha seu filho dentro de uma redoma, assistindo à vida como mero espectador, sem nenhuma participação ativa.
Se sua criança não gosta de esportes, incentive-o a participar de grupos de estudo, de teatro, de leitura. Não use prêmios ou dinheiro para conseguir que seus filhos realizem tarefas que são parte da obrigação deles. Eles vão cobrar isso de você para o resto da vida. O vídeo game por ter passado de ano na escola hoje é o carro por ter entrado na faculdade amanhã. Estudar e passar de ano é dever dos filhos assim como é dever dos pais prover casa e comida, portanto não deveria haver prêmios para o que não é mais que obrigação. E ensine-os a negociar, a argumentar, a correr atrás do que eles querem de verdade. Pode não ser muito bom para você, como pai, mas é uma excelente lição para a vida.
Não existe fórmula para criar uma pessoa boa. Pessoas não vêm com manual de instrução. Existem conselhos, tentativas, esforços. Depende da índole de cada um tanto quanto da educação recebida. Bons exemplos ajudam (veja o vídeo acima ? vale a pena!), mas não são tudo. Se sentir igual aos outros, e não melhor ou pior, também. Reconhecer seus limites e tentar ultrapassá-los um pouquinho de cada vez, tentando não gerar frustração, para não baixar a auto-estima. Reconhecer que errou, pedir desculpas e, se preciso, começar de novo, de outra maneira. Incentivar a alegria, o bom humor, a saúde. Desestimular a tristeza, a doença, a vingança. Saber se defender, mas, principalmente, saber atacar ? como, quando e por quê. Ensinar que não se ganha nada diminuindo o outro, até porque você pode estar no papel do outro amanhã. Exalte as qualidades, conserte os defeitos que incomodam. E permita que se tenha alguns defeitos: afinal ninguém é perfeito. Nem você, nem seus filhos. Nem seus pais.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/07/faltou-o-manual.html
O Príncipe Encantado no Século 21 - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 37 leitores: 4,5 (de 1 a 5)
Um Tema em Duas Visões

Música da Semana: Por Você
(Barão Vermelho)


A Visão da Mente
Quando tinha a seção Entre Mentes, recebi muitas perguntas dos meus leitores. E um tema apareceu várias vezes e de várias formas: ?A mulher e seu companheiro ideal". Engraçado que todas se referem à mulher moderna. Não gosto disso, ?mulher moderna?. Prefiro a mulher de hoje, até porque, por mais diferente que nossa vida seja agora, parece que nossas expectativas em relação ao companheiro ideal não mudaram muito.
Vá lá que muitas de nós já não acham que o homem tem que ser o único provedor, mas quantas de nós não gostariam que fosse? E quase afirmo que todas nós, sem exceção, continuamos querendo um parceiro. Alguém com quem podemos contar, no velho estilo de ?na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza? sem o até que a morte nos separe, embora esperemos que sim.
Divorciar ficou fácil, casamento no papel já não é coisa imprescindível (para mim é, por motivos meus, mas não tenho preconceito), mas ninguém, em sã consciência, entra em um relacionamento sério pensando que daqui a pouco vai acabar. O investimento emocional em uma relação é alto demais para isso. E, se não for, pense bem, já que, provavelmente, não valerá a pena.
A gente continua olhando e querendo visualizar um bom pai. E inclusive com uma boa aparência porque imaginamos como nossos filhos serão, um dia, um misto dos dois. E percebemos o caráter, as atitudes e defeitos. E, se a paixão não nos cegar, conseguimos ter um vislumbre de se vai dar certo ou não a longo prazo.
Procuramos um parceiro com quem possamos interagir, social e culturalmente. Ainda queremos alguém que se importe conosco, que preste atenção aos detalhes e que nos diga coisas bonitas. ?Procuramos?... Muito diferente de ?encontramos?.
Continuamos a procurar e a nos decepcionar e a sofrer por amor ou por desamor. E a nos iludir, quando a paixão nos afoga, e acreditar em palavras soltas, em promessas vãs. Ainda não aprendemos a viver sozinhas apesar de nos declararmos independentes. A propósito, me tirem fora desta. Eu não sou independente. Em nenhum sentido. Tenho horror a perder meu marido, ou melhor: de meu marido perder a vida. Perder meu marido para outra mulher? Não considero bem como ?perder?. Se isso acontecer... Já era hora do meu marido ir embora. Hei de me conformar, tenho fé.
Continuamos a ter ciúmes, a ser possessivas. O que é nosso não é para ser compartilhado. Mas aprendemos a nos valorizar? Aprendemos a acreditar em nós mesmas?
Ai, meu Deus, este texto está a própria Mente da Mulher: uma confusão só, cheio de contradições. Melhor parar por aqui...
Paul Mitchell
Por Lisavieta
Na semana passada, cometi um desses pecados femininos que deveriam ser prontamente perdoados: gastei dinheiro com produtos que supostamente nos farão mais bonitas, interessantes e (?) felizes. Num momento de fraqueza e de curiosidade, comprei um kit de produtos para os cabelos da marca Paul Mitchell ? sobre quem nunca tinha ouvido falar, diga-se de passagem!!-, mas a vendedora me falou de tantas vantagens e mudanças que o meu cabelo teria, que, apos 10 minutos de forte lavagem cerebral (antes de testar a lavagem dos cabelos propriamente!) comprei os produtos.
Quando, em casa, dediquei alguns momentos para ver os produtos e ler seus benefícios e sua forma de uso, quase que desisto, pensando no tempo que eu ia ter que despender lavando, enxaguando, lavando novamente, condicionando, hidratando, cauterizando pontas duplas e, finalmente ? se ainda sobrasse tempo ? me penteando para retornar ao mundo dos mortais. Mas, é claro, resolvi me submeter a todo o processo e me tornar uma nova mulher!
Confesso que o cheirinho dos meus cabelos ficou uma delícia, mas, não sei se por toda a expectativa que criei em torno do produto, fiquei meio decepcionada por não ter ficado com aquele ar que fica a Andie McDowell nas propagandas de tintura de cabelo... Decidi então, resignada, continuar usando o produto, e cheguei até a esquecer a minha leve frustração.
Alguns dias depois, estava eu, sentada de manhã em um banquinho na calcada aguardando o ônibus que me levaria até o lugar onde estou estudando. Era uma manhã de quarta-feira. Manhã ensolarada, mas com um sol tímido que teima em não esquentar o dia nem nossos humores. Estava eu com os pensamentos distantes, ao som da Nina Simone, quando alguém me pede licença para me perguntar alguma coisa. Prontamente, desliguei o som ? a minha Nina Simone detesta dividir atenções! - para saber do que se tratava. Era um rapaz que eu não conhecia, que havia sentado ao meu lado no banco, provavelmente para também esperar o ônibus. Com uma expressão completamente tranqüila ? dessas expressões tranqüilas invejáveis! -, ele me pergunta se o ônibus 135 vai passar por ali. Eu, já chateada por ter sido interrompida para dar uma informação que estava escrita em uma placa há menos de 1 metro de mim, só fiz apontar para a placa e dizer um curto SIM. Foi então que ele me fez a segunda pergunta: "Você está indo para a escola XXX, não é?". E eu, meio surpresa, fiquei olhando para ele ainda sem responder. Ele, percebendo a minha reação, continuou: "É que eu também estudo lá, mas faço outro curso, cuja sala fica do outro lado, em frente ao lago. Mas eu já vi você. Várias vezes. Você é a menina que nos intervalos vai ouvir música sentada em um banquinho em frente ao lago. Eu sei porque todos os dias, na mesma hora, eu espero para ver você sentar, soltar seus cabelos e colocar seus fones para ouvir música e ficar contemplando o lago".
Nesse momento, parei e fiz uma daquelas expressões faciais que costumamos fazer quando não sabemos exatamente o que expressar. Imaginar que alguém pode estar nos observando, em nossas mais particulares, banais, singelas - e supostamente despercebidas - ações cotidianas me deu uma sensação de plenitude maior do que a máxima esperada pelos produtos do Paul Mitchel. E, realmente, é esse o grande resultado que uma mulher espera sempre... ser vista. Vistas como realmente somos, através de nossas pequenas diferenças. O rapaz que estava ali ao meu lado, e que nunca mais voltei a ver, conseguiu, sem saber e por uma fração de segundos, fazer-me sentir o que a maioria das mulheres espera de um companheiro: ser notada. Estar ao lado de alguém que as vê de uma forma singular, como mais ninguém - às vezes nem ela mesma - é capaz de se ver. Um homem que muitas vezes não se parece com aquele que foi por nós idealizado, que não precisa vir no cavalo branco nem ter todas as respostas e nos salvar sempre, mas um homem que é capaz de reconhecer as suas fraquezas, apesar de se fazer presente e estar pronto a segurar em nossas mãos quando se fizer necessário. Um homem capaz de ver além do que aparentemente existe para ser visto.
Desse dia em diante, todas as vezes que vou para a frente do lago escutar música, solto os cabelos de uma forma mais digna, como uma ação profundamente importante no meu dia. Mas esse resultado, claro, não foi previsto pelo Paul Mitchell ou pela Andy McDowell...
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/07/o-prncipe-encantado-no-sculo-21.html
Uma piscadinha... - 2008-09-26 03:49
Avaliação média de 23 leitores: 4,5 (de 1 a 5)
O sétimo e último Pecado Capital: Preguiça ( o que é )
Preguiça é o meu pecado favorito desde pequenininha. Basta eu dizer para vocês quem foi o meu maior ídolo na minha infância televisiva: Jeannie. Eu não perdia nenhum episódio e passava horas invejando o poder dela de piscar e pronto. Estava feito. E bem feito. Vá lá que, de vez em quando, ela metia o Major Nelson numas roubadas enormes. Mas a culpa não era só dela. Afinal, o Major Nelson era um bobalhão e não sabia formular um pedido direito. Todo centrado e politicamente correto, o astronauta não sabia aproveitar o que o destino colocou no seu caminho. Já o Major Riley... Ele teria sido um amo tão bom quanto eu.
Se bem que eu nunca quis ser o amo, não. Queria ser a própria Jeannie.
Eu também assistia a ?A Feiticeira?, mas Samantha nunca me encantou como Jeannie. Samantha era mais certinha e obedecia quase que cegamente ao marido. Samantha não se metia em uma confusão após a outra. E o marido da Samantha era muito sem sal - o que não podemos dizer do Major Nelson. Além do que Jeannie sabia enrolar o Major Nelson como ninguém. E o Major Nelson, do jeito racional dele, amava a Jeannie e sempre sucumbia ao charme dela. (Oh! Qualquer semelhança não é mera coincidência!).
Jeannie era sedutora, moleca e linda. Ela era tudo o que eu queria ser. E ainda quero. Uma piscadinha aqui e outra ali e a casa estava arrumada, as roupas passadas, um maravilhoso jantar preparado. Enquanto isso, ela ainda lia uma revista, toda faceira. No meu caso, por favor, substituam a revista por um livro.
E ainda tinha o outro lado: uma piscada, Jeannie estava toda arrumada, maravilhosa, pronta para sair. Mais uma piscada e os dois se transportavam para qualquer lugar no mundo. Nada de engarrafamento, longas viagens de carro ou de avião. Somente uma piscadinha. Não seria maravilhoso poder ser assim? Só de pensar nas horas perdidas em filas e aviões já me dá preguiça de viajar... E se a viagem for de carro... Não melhora muito, não. Peço para parar duzentas vezes e pelos mais diversos motivos.
Eu vivo à base de preguiça. Dia de sol dá preguiça porque é muito quente. Dia de chuva dá preguiça porque é ótimo para ficar na cama lendo um livro. Dia nublado? Bom, pode chover...
Outro dia, a coisa ficou realmente séria ? e preocupou bastante os meus amigos. É que deu preguiça de ir ao shopping... Quase ligaram para o médico.
Não era nada grave, nem anormal. Era só preguiça...
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/07/uma-piscadinha.html
Eu confesso - 2008-09-26 03:49
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O sexto Pecado Capital: Inveja ( o que é )
Música da Semana: Amor Perfeito
(Babado Novo)


Eduardo é um amigo e leitor recente. Recente e instigante. Sugere temas, discute conceitos, exercita a mente, com muita classe e toda a educação. E, até onde eu sei, é tão jovem! Apesar do breve tempo em que nos conhecemos (virtualmente), estamos sempre em sintonia. Ou, se preferir, pode chamar coincidência. Enquanto eu preparava esta série, Eduardo colocava na nossa comunidade no Orkut uma enquete sobre os Sete Pecados Capitais. Alguns recados depois, Eduardo me coloca a diferença entre inveja, cobiça e ciúme de uma forma clara e simples. Infelizmente, atacada pela onda de apagar todos os recados, apaguei as definições antes de usá-las aqui. Portanto, as palavras são minhas, tentando lembrar as do Eduardo.
Inveja ? é querer que o outro não tenha
Cobiça ? é querer o que o outro tem
Ciúme ? é querer que o outro não tenha o que é seu
Eduardo também comentou que, em pesquisa feita por Zuenir Ventura durante sua participação na série literária sobre os sete pecados capitais, a maioria das pessoas não admite que sente inveja.
Pois é, de acordo com o conceito do Eduardo, eu confesso que eu sinto. Pelo menos, cobiça. Chamo de ?invejinha branca?, daquelas que não se sente por mal, mas que eu sinto, eu sinto.
Por exemplo, a Claudia Leite, cantora do Babado Novo. Acho a Claudia uma mulher linda. Eu, que sou fanática por brincos, comecei a perceber os que ela usa. Cada um mais lindo que o outro. Já me disseram que todos os brincos são dela mesmo, nada de empréstimo para usar em público. Só que não é porque ela tem que eu não posso ter, né? Por causa dos brincos, comecei a prestar atenção em todas as fotos dela. Um belo dia, enquanto pintava o cabelo, vi as fotos da lua-de-mel dela em Paris na Revista Caras. Gente, ela e o marido estavam segurando um monte de sacolas da Sephora (uma mega-loja de perfumes e maquiagem)! E, podem ter certeza, se tem alguma coisa que eu gosto tanto quanto de brincos e de livros, é de perfume. Quase morri de inveja!!!! Até porque, mesmo que eu estivesse em Paris e com dinheiro para gastar, o Ric jamais me deixaria comprar tanto na Sephora. Mas, isso não impede a Claudia de poder e fazer! Na verdade, azar o meu, que eu não posso, né?
Já ciúme, cheguei à conclusão que é pura insegurança. Papo para um longo blog. Para não passar em branco, vamos com um exemplo só. Morro de ciúmes do meu pai. Nem tanto em relação a minha irmã, mas principalmente em relação aos ?filhos? que ele adotou pela vida, pessoas com quem ele tem tanta afinidade, tão mais do que tem comigo, que é duro de agüentar.
E aí entra a verdadeira inveja. Não quero que ninguém tenha com o meu pai mais afinidade do que a que ele tinha comigo. Só falto bater o pezinho e me jogar no chão, em uma perfeita demonstração de como fui mimada. Só que o tempo passa e a gente amadurece (só um pouquinho). E aí descobre que querer não é poder. E que tem coisas que, por mais que incomodem, não tem como mudar. Porque simplesmente não dependem da gente. E, se não depende da gente, não adianta se amargurar e/ou tentar melar. Qual é a solução? Voltar para a invejinha branca que, no meu entender, não faz mal ao espírito. Ao contrário, faz com que a gente se esforce para ser melhor ainda.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/07/eu-confesso.html
Vive la France ! - 2008-09-26 03:49
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O quinto Pecado Capital: Gula ( o que é )


Gula não deve ser pecado. Afinal, eu sou castigada quase imediatamente. É só passar da conta que morro de azia, de enjôo, de dor de barriga. E devo ser meio tapada - porque continuo cometendo o mesmo erro.
Quando ainda existia o rodízio de carnes da Marius de Ipanema, eu adorava ir lá. Que picanha, que nada! Jacaré, javali? Tô fora. Meu negócio eram os pasteizinhos de catupiry. Uma delícia - e eu me enchia deles. E saía de lá sempre pedindo ao Ric, pelo amor de Deus, que não me deixasse comer tantos pastéis da próxima vez.
Teve uma vez que eu me superei. Foi em Paris. A cidade mais linda que eu já conheci.
Preciso voltar um pouquinho. Sou louca por mousse de chocolate. Desde pequena. Minha mãe, péssima cozinheira, fazia sobremesas maravilhosas. A mousse de chocolate dela, receita de família, é a melhor que já provei. Quando tinha mousse lá em casa, sempre dava briga, por maior que fosse o pote. Não faltavam voluntários para lamber as colheres, a batedeira, o prato! Uma tremenda falta de educação, mas extremamente divertido.
Imaginem então esta criança (é, no que se refere a mousse de chocolate, eu sou criança) descobrindo que, em Paris, a moda nos restaurantes era ?mousse au chocolat à volonté?. Nada de rodízio, buffet à quilo. Mousse de chocolate à vontade. Preço fixo e coma o quanto agüentar.
Claro que eu dava pulinhos de alegria. Claro que o Ric não foi capaz de me fazer mudar de idéia. Então, depois de subir e descer as ladeiras de Montmartre, achamos um restaurantezinho bonitinho em frente ao Moulin Rougé. Eu nem cabia em mim. E veio uma terrina enorme, lotada de mousse, e uma tacinha com uma colher. E tinha muito mais de onde veio aquela, informou a garçonete. Tudo só para mim!!!!
Mãos à obra. Tacinha um. Suspiros, sorrisos, deleite. E o Ric já com aquele sorrisinho de canto de boca. Tacinha dois. Colher um. Uhm. Colher dois. Ai. Colher três... preciso de água. Colher quatro, bem pequenininha. Preciso ir ao banheiro, ainda sem me dar por vencida. Colher cinco... não agüento mais! Ó terrível dilema. Deve ser praga da mamãe que está se revirando de tanto rir no túmulo. Colher seis... e o Ric diz ?pára ou você vai vomitar...? Colher sete... vou mesmo...
Que desperdício... Voltei para casa um pouco mais comedida no que diz respeito à mousse de chocolate. Não lambo mais as colheres nem a batedeira. Só dou uma lambidinha no prato, mais para não deixar de ser criança do que outra coisa...
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/06/vive-la-france.html
Invasão de Privacidade - 2008-09-26 03:49
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O quarto Pecado Capital: Ira ( o que é )

Música da Semana: Você já foi vacinado?
(Made in Brazil)


Não sou uma pessoa de ter acessos de raiva. Sou veemente, apaixonada, excelente argumentadora, mas não perco a pose. Só que para toda regra existe uma exceção. No meu caso é o telemarketing. Tenho vontade de esganar, cortar em pedacinhos e fritar o infeliz que inventou isso. Não há nada neste mundo mais desrespeitoso, invasivo e fora de propósito do que o telemarketing.
Já somos bombardeados com propagandas na TV, por malas direta e por spam. Por que usar o telefone também? Meu telefone é particular e não consta da lista. Só resta-me crer que empresas que têm o meu cadastro divulgam meus dados sem a minha permissão. É ultrajante.
É incrível a capacidade dessas pessoas de ser inconveniente. Parece que eles escolhem a dedo a pior hora para telefonar. Sábado às 8 da manhã, na hora da novela, na hora do almoço. E usam de uma intimidade como se fossem meus amigos. E quando você reclama, ainda ouve um ?estou fazendo o meu trabalho? bem choraminguento.
Odeio, odeio mesmo, quando ligam para mim e perguntam ?Deborah??. Eu, que já não caio mais nessa, sempre pergunto quem quer falar com ela. Aí, vem uma resposta como ?é a Jussara...?. ?Jussara de onde??... Finalmente, encurralada, a ?Jussara? é obrigada a colocar as cartas na mesa: ?Ah, do jornal O Globo...? Verdade seja dita, nem o jornal O Globo nem o Jornal do Brasil me pegam mais. Coloquei um identificador de chamadas! E já conheço o número deles! E, ?graças? aos telefonemas de falso seqüestro, desliguei a secretária eletrônica. Então, é só deixar tocar e tocar e tocar. Mas, eles não desistem. Ligam várias vezes e em vários horários diferentes. E, antes que vocês me perguntem, é claro que eu já disse que não estou interessada. Mais de um milhão de vezes. Só que ?o sistema deve estar com problemas? porque esta simples frase ?não estou interessada? nunca é devidamente registrada. Deve ser falta de número para ligar, tamanha a insistência, e claro, a meta a ser cumprida.
Pior ainda são os telemarketeiros terceirizados. Juro! Isso existe! A Editora Globo passou meses me ligando para me oferecer uma assinatura que ? pasmem ? eu já tinha! Os de planos de saúde querem saber tudo: qual é o meu plano, se eu estou satisfeita, etc, etc. e tudo respondido com um singelo ?não te interessa?. E quando você bate o telefone na cara deles ? podem acreditar em mim, caros leitores ? eles ligam umas 10 vezes seguidas só para te xingar! É: xingar. De FDP para baixo.
Há muito tempo, quando eu ainda tinha duas linhas telefônicas (a segunda estava no nome do meu pai, portanto quando ligavam perguntando por ele, eu já sabia que era telemarketing), ligaram de uma operadora de turismo. Eu disse ao rapaz que o meu pai tinha acabado de morrer. Ele não engasgou: ?meus pêsames, mas a senhora não está interessada em passar uns dias no hotel tal??
Gente, não quero saber. Sou grossa, mal educada, bato o telefone na cara mesmo. Não me interessa se eles estão trabalhando, ganhando uma miséria, se o trabalho é estressante, se a política do país é uma droga e se há escassez de bons empregos. O meu telefone não é a casa da mãe Joana para qualquer um ligar para cá.
E se, por acaso, alguns de vocês, caros leitores, trabalham em telemarketing (e precisam disso para a sua sobrevivência), sejam mais espertos que eu. Informem ao seu supervisor (empregado mais fantasma que os empregados públicos dos programas humorísticos) que não é assim que a sua empresa vai conquistar o cliente nem atingir a meta. Que, deste jeito, a sua empresa vai é perder clientes. Eu faço questão de não ler jornal. Leio revistas. E, se a Veja começar a me encher, passo para a Época; e, se a Época me encher, passo para a Isto É. Opção é o que não me falta. Explique também que o cliente não é burro. Que, se ele estiver interessado no produto, vai entrar em contato. E, sim, ele conhece o produto através de outros meios de comunicação. E explique, acima de tudo, que não é não. Infelizmente ainda não existe uma lei que caracterize o estupro telefônico...
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/06/invaso-de-privacidade.html
Ocasiões Especiais - 2008-09-26 03:49
Avaliação dos leitores (escala de 0 a 5): 4
O terceiro Pecado Capital: Luxúria ( o que é )

Música da Semana: Banho de Espuma
(Rita Lee / Roberto de Carvalho)


É engraçado. Eu nunca consigo pensar em Luxúria como um pecado relacionado ao sexo. Por que só o prazer com o sexo seria pecaminoso? O pecado maior não deveria ser o excesso ? em qualquer sentido?
Para mim, luxúria é estar naquele nível de prazer que parece que vai durar para sempre. Como comer chocolate. Se comer muito, dá dor de barriga. Ou fazer compras no shopping. Se comprar muito, estoura o limite do cartão de crédito (um enorme pecado!). Ou comprar uns supérfluos no supermercado. Se comprar sempre, deixa de ser supérfluo.
Luxúria para mim é aquilo que, apesar de dar imenso prazer, não podemos fazer sempre. Um fim de semana fora, largada, na maior preguiça. Virar uma noite com os amigos. Um loooongo banho de banheira cheio de bolhas. Uma maratona de compras, comprando por impulso.
Peraí um momentinho. Voltando a fita... Eu disse que Luxúria para mim é aquilo que, apesar de dar imenso prazer, não podemos fazer sempre. Por isso não consigo incluir o sexo! Como uma mulher casada, posso fazer sexo sempre que eu quero! Como mulher não cristã, posso fazer sexo que não seja para a procriação e sem culpas! E, indo um pouco mais longe, não precisaria ser nem com o meu marido, já que ninguém, além dele, tem nada a ver com isso.
Calma, calma. Não precisam se preocupar. Tudo continua bem com o casal 20 aqui. Só que tenho consciência de que somos a exceção. E que as pessoas, por mais que digam que sim, não estão lá muito interessadas em um amor tão certinho assim (vide o fato de que as visitas na semana do artigo ?Amar pode dar certo? ficaram bem abaixo da média). A maioria dos casais não tem uma boa relação. E, ao contrário do que acontece no meu mundinho cor-de-rosa, muitas vezes a solução para viver melhor é ter outra pessoa em paralelo. Não estou dizendo que concordo, nem que acho certo. Simplesmente, estou dizendo que acontece. E muito.
E aí quando estas duas pessoas se encontram, em poucos momentos roubados, depois da maior expectativa, tudo o que acontece entre eles é pura luxúria, mesmo que não inclua sexo. Diga-se de passagem, esta sensação não é exclusiva dos amantes que são casados com outras pessoas. Ela é também dos amantes namorados que não moram juntos e que não tem onde transar numa boa, além de pouco dinheiro para gastar em motel. Ela também é daqueles que vivem em cidades diferentes e que, por um motivo ou outro, só se vêem em ocasiões especiais.
E aqui o círculo se fecha. Ocasiões especiais. Esta é a grande luxúria da vida. Pequenos luxos a que a gente se dá ao direito.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/06/ocasies-especiais.html
Minha porção Tio Patinhas - 2008-09-26 03:49
Avaliação dos leitores (escala de 0 a 5): 4
O segundo Pecado Capital: Avareza ( o que é )

Música da Semana: Corrida do Ouro
(Zé Rodrix)

Eu sou um contra-senso. Adoro comprar minhas coisinhas, mas detesto gastar dinheiro. Como é possível? Assim: me preocupo com os centavos; economizo aqui para gastar ali; só pago o que eu acho que é justo; e, principalmente, adoro um desconto.
Em detalhes:
Os centavos. Não posso ver uma moedinha que eu pego, mesmo que seja de um centavo. Um centavo junto com outro e mais outro e mais outro formam um real. Acho um desplante quando as caixas de lojas (especialmente Lojas Americanas e Casa & Vídeo) me perguntam se podem ficar me devendo um centavo. Não podem. Porque o reverso é mais que verdadeiro. Eu não poderia levar o que estou comprando se me faltasse um centavo. Fora que o centavo que elas ficam me devendo é lucro para as lojas que já são bem mais ricas que eu. E fico eu lá. Atrapalhando a fila, que já é longa, à espera do meu centavo.
Economizo aqui para gastar ali. Lembro da época em que eu tinha um celular da Claro e a Claro mudou seu sistema de faturamento. E as contas não vinham. E quando chegavam, chegavam com erro. E lá ia eu, horas no telefone, falando com duzentos atendentes, o setor de qualidade, os supervisores do setor de qualidade. E a conta era cancelada.
E, quando eu finalmente conseguia, eu virava para o Ric e dizia: ?bom, eu consegui economizar R$ 100. Agora, tem aquele livro (ou perfume ou brinco ou creminho) que eu estou querendo, então eu vou comprar.?
Infelizmente, para mim, a Claro conseguiu se acertar lá com o sistema dela... Mas, o supermercado...
Compras de supermercado. Acho uma agonia. Eu olho preço por preço, marca por marca. Só não faço romaria entre vários supermercados porque a preguiça é maior. A ?solução? encontrada foi o Extra que cobre os valores da concorrência no caixa. Então, ótimo. Lista no palm, compras no carrinho, chego no caixa (?Oi, Seu Paulo! Olha eu aqui de novo!?) e saco todos os encartes de outros supermercados que consegui juntar. Normalmente, consigo um desconto de 15% no total das minhas compras - e uma fila imensa atrás de mim.
Só pago o que é justo. Para não contar de novo a estória da saia que eu namorei por meses até entrar em liquidação, conto aqui a estória da sandália de salto alto. Precisei de uma porque as minhas já estavam todas velhas. Circulei a energia ? quer dizer que doei minhas sandálias velhas ? e fui ao shopping. Achei a sandália mais maravilhosa e confortável dos últimos 10 anos. Só que a loja queria que eu deixasse lá R$ 200. Outro desplante. Não vale. Primeiro porque eu sei que a sandália será pouco usada. Segundo porque eu sei que, se eu esperar, compro a sandália pela metade do preço. Problema um: preciso da sandália imediatamente para ir a um casamento. Problema dois: se eu comprar uma sandália agora, não terei a menor necessidade de ter outra quando as liquidações começarem. Vamos bater perna. E não é que achei outra sandália, tão maravilhosa e confortável, pela metade do preço???? Ainda é caro pagar R$ 100 por uma sandália? É. É justo? Bom, isso é bastante discutível. Para mim, foi o suficiente.
Os descontos. Ah, os descontos... Quer me ver feliz? Me dá um desconto. Febre de Shopping me deixa enlouquecida. Baixa temporada em hotéis? Quase orgásmico! E um tanto quanto pecaminoso, já que, além da avareza, vemos sinais de luxúria, preguiça e gula!
Eu bem ia continuar o texto mas, depois do parágrafo acima, acho que vou direto para o inferno.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/06/minha-poro-tio-patinhas.html
Golpe do Destino - 2008-09-26 03:49
Avaliação dos leitores (escala de 0 a 5): 3,5
O primeiro Pecado Capital: Soberba ( o que é )
Música da Semana: Puro Êxtase
(Barão Vermelho)


Existe uma pessoa que eu tenho o prazer de dizer que não faz parte do meu círculo de amigos. Nem virtual. Podemos dizer que ela é como um fantasma que me assombra de tempos em tempos. Assusta, mas não incomoda. Só me faz ficar alerta e querer, cada vez mais, ser o oposto do que ela é.
Ela nasceu pobre. O que não é desculpa, já que, neste país, a maioria nasce pobre. Em uma família cristã e praticante. E foi contra todas as regras de moral e dignidade. Parece até um personagem de Gilberto Braga, o mestre em criar personagens arrogantes.
Sabe-se lá porque razão ? eu não tenho como saber porque não a conheço -, ela decidiu que precisava mudar de vida. Procurou entre suas qualificações e descobriu que era extremamente envolvente e sedutora. Não só com homens, com mulheres também. Carismática e esperta, ela foi à luta.
Não me perguntem os detalhes da sua ascendência porque não os tenho. O que sei é que ela conseguiu. Alguns diriam que sem muito esforço, outros que ela continua se esforçando. Acontece que ela deu o Golpe do Baú há uns vinte anos. Passou a viver no luxo, rodeada de mais luxo ainda, usufruindo do bom e do melhor. Ela, que se achava, agora tem certeza.
Certeza que dinheiro (mesmo que não seja o dela) compra classe, cultura e educação. Certeza que dinheiro compra as pessoas e as seduz. Certeza que dinheiro compra caráter. Certeza que dinheiro compra amor. Êpa! Amor? Não, amor não compra, não. Nem o dela, mesmo que ela diga o contrário.
Mas, para se alcançar um objetivo, alguns sacrifícios precisam ser feitos. E viver sem o seu grande amor é um deles. Um fracasso? Não, fracassos não fazem parte do vocabulário dela. Desprezo e menosprezo, sim. Adiamento de planos, com certeza, por que, no fim, ninguém resiste ao seu charme. Impossível escapar do seu encanto de sereia.
E, em algum lugar no meio do caminho, para matar o tempo da espera, tomou tanto champanhe (?o mais caro, garçom!?) que as bolhas subiram à cabeça. E flutuou tão alto, se achou tão acima de tudo, que até de Deus duvidou. Para ela, não há provas de que Ele exista. Não há força maior que a dela.
Onde ela está hoje? Não sei. Na minha vida que não é. Deve estar onde sempre esteve. Sentada em seu trono, cercada por seu séquito, pondo e dispondo das pessoas como melhor lhe aprouver. E, se ainda sobrou alguma coisa daquela menininha que ela foi um dia, deve estar se sentindo muito, muito sozinha.
Fonte: http://amentedamulher.blogspot.com/2007/05/golpe-do-destino.html
Deus e o Diabo na Terra do Sol - 2008-09-26 03:49
Avaliação dos leitores (escala de 0 a 5): 3,5

Música da Semana: Gita - clique para saber o que é Gita
(Raul Seixas e Paulo Coelho)


Quando eu tinha 12 anos, ouvi de uma das mulheres mais inteligentes que conheço uma frase que me acompanha até hoje e que me ajuda em diversas situações. Ela me disse que o diabo não é tão feio quanto se pinta.
Há pouco terminei de ler um livro chamado ?Sete Dias Para Uma Eternidade?, do francês Marc Levy. A estória, bastante resumida, era uma aposta entre Deus e o Diabo para ver quem conseguiria, em sete dias, espalhar mais o mal ou o bem. Fiquei na maior dúvida se eu tinha gostado ou não do livro (e acho que ainda não me decidi), mas, que o livro me colocou para pensar, colocou. Destaquei frases que levei para discussões c
