Beleza

As férias.... - 11Out2008

Nada como já estar a necessitar novamente de férias, para recordar as que já se passaram:

Este ano foi a vez da minha mulher decidir onde íamos, pelo que a sua primeira proposta foi a de irmos um mês inteiro para Moçambique fazer trabalho voluntário, como forma de relativizarmos o extenuante ano de trabalho. Expliquei-lhe que já fazemos muitas horas de trabalho voluntário, ao longo do ano, no emprego e que não é por isso que nos sentimos melhor (além de que estas coisas não se preparam com 10 dias de antecedência). Pelo que resolvemos ir até à ilha da Madeira.

Confesso que não estava à espera do que lá fui encontrar. É, sem dúvida nenhuma a região do país que tem mais bananeiras por metro quadrado, mais túneis por quilómetro, e mais sedes do PSD por localidade.

Mas, de tudo o que a Madeira tem para nos mostrar, o que mais tempo nos tomou foram os percursos pedestres nas levadas (no lado esquerdo do blog, por baixo da publicidade, podem pesquisar o que são "levadas". Obrigado). É extraordinário, não só a paisagem que encontramos nesses caminhos, mas também o facto de eu ainda estar casado com uma mulher que me obrigou a fazer uma média de 13,246 Km/Dia. Se duvidam, tenho tudo registado através do Nokia Sport Tracker (se quiserem, procurem também o que é isto).



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/179056.html

I'm alive..... - 26Set2008

- Eu disse-te: Ser sindicalista e ingénuo é incompatível. - diz-me ela, como uma se fosse uma espécie de profecia.

Limitei-me a olhar para ela, sem perceber o porquê daquele início de conversa.

- Tens que aprender a olhar para as coisas de uma forma mais suave. Não leves as coisas assim tão a sério. Tens que deixar de ficar assim quando as pessoas te desiludem. - continua ela, agora olhando para mim, como se eu fosse um cão abandonado. - Anima-te! - Termina ela, dando-me um beijo e indo-se embora.

Limitei-me a encolher os ombros, sem perceber muito bem o porquê daquele discurso. Volto a agarrar na guitarra e, pelo quarto dia seguido, tento ver se a consigo afinar, na minha posição favorita: deitado nu em cima da cama.

Qualquer dia regresso.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/178695.html

Uma (longa) história de encantar..... - 25Jun2008

Ao Jantar:

- Pai, a professora falou que existe uma terra que se chama Freixo de espada à cinta. Por que é que as terras se chamam como chamam?

- Bom. - digo, pondo o meu melhor ar de intelectual. - Trata-se de uma pergunta que mostra bem a rapariga inteligente que tu és.

- Não sabes, não é? – diz ela (mais como afirmação, do que como pergunta) enquanto a minha mulher começa a rir.

- Claro que sei. Por exemplo, essa terra tem esse nome, porque o senhor que a criou chamava-se Freixo e tinha uma espada à cinta.

- Pois… É capaz de ser isso. - diz, rendida à minha lógica imbatível.

- Quando é que deixas de acreditar em tudo o que ele te diz? - diz a invejosa da minha mulher.

- E sabes que existe uma terra que se chama “Luis Luz o Herói”? - digo, só para que a minha mulher aprenda a não me provocar.

- A sério?! Porquê? - pergunta-me ela, entusiasmada com a possível história que aí vinha, e que a iria ajudar a comer melhor o bolo de Rúcula, com que a minha mulher nos presenteou ao jantar.

- Bom, eu antes de conhecer a tua mãe, era muito feliz e passava o tempo a viajar e a comer o que queria.

- Mãe! Não dês pontapés ao pai! Ele agora também é feliz. Só não pode é comer o que quer! Não é pai?

- Claro que é amor. A mãe é que percebe as coisas mal. - digo a rir.

- Peço desculpa, meu amor. - diz a minha mulher, enquanto me (im)põe mais uma fatia do tal bolo no meu prato.

- Bom, continuando a história. - digo – Um dia estava a passar por uma terra que se chamava “Grande Bosta” e vejo uma multidão à volta de uma árvore. Fui ver o que se passava e estavam todos a olhar para o cimo da enorme árvore. Mesmo junto à árvore, estava uma menina da tua idade, a chorar e a dizer: “Quero o meu gatinho....o meu pobre gatinho...” e todos olhavam para o cimo da árvore e chamavam: “Gatinho, anda cá....Gatinho!”, mas nada acontecia. Perguntei porque ninguém subia à árvore para o ir buscar. Começaram todos a inventar desculpas: Que a árvore era muito grande...Que o gatinho era um chato.... que ele havia de descer quando tivesse fome....etc.. Eu olhei para a menina, que só soluçava suplicando ajuda… E adivinha quem é que se ofereceu, para ir buscar o gatinho da menina?

- Foste tu.

- Claro. E comecei a subir a árvore. Era a maior árvore que já tinha visto. Olhava para cima e nem conseguia ver o fim dela.

- E não tiveste medo?

- Bom, quando já estava muito alto, comecei a ficar cansado e a pensar que o melhor era descer e borrifar-me para o gatinho. Mas depois olhava para baixo e via os olhos da menina, a brilhar, com o queixinho a tremelicar, e continuei….De repente, começo a sentir alguma coisa a bater-me na cabeça, era um Pica-pau.

- E magoava-te?

- Claro. Cheguei a pensar que o melhor era descer, mas....

- Olhaste para baixo e viste a menina assim…- diz-me ela enquanto fazia a sua própria cara de súplica… não se esquecendo de pôr o queixinho a tremelicar.

- Pois...e lá continuei a subir.

- E o Pica-pau sempre a bater-te na cabeça?

- Não. Houve uma altura em que ele parou.

- Que bom.

- É verdade… Ele fugiu porque agarrei numa colmeia que estava presa num ramo e atirei-lha.

- Então continuaste a subir sem que nada te chateasse.

- Claro que não. As abelhas não gostaram que eu tivesse arrancado a colmeia e começaram a picar-me.

- Uiiiii.....E tu continuaste?

- Claro. Lembra-te que o pai é um homem corajoso. - digo, enquanto dou uma grande dentada numa fatia do bolo de Rúcula, logo seguido de um gole de sumo, para disfarçar o sabor.

- E depois?

- Depois, cansado, com a cabeça cheia de feridas do Pica-pau. Todo inchado com as picadelas das abelhas, que não paravam de me seguir….Vejo que estou quase no fim. Ouço um ruído e chamo: “Gatinho...anda cá gatinho.”.

- E ele veio?

- Não. Mas senti que estava escondido atrás de uma grande ramo. Fui até lá, devagarinho. – digo sussurrando - Afasto o ramo…. E VEJO UM ENORME URSO! – grito (tendo esse meu grito levado a minha mulher a regurgitar parte do bolo de Rúcula, o que acabou por ser a desculpa perfeita para eu e a nossa filha, deixarmos de comer o bolo e irmos buscar pão, manteiga e leite para finalmente, jantarmos algo de jeito).

- Continua pai. – pediu-me ela, enquanto dava uma dentada no pão. – Um urso em cima de uma árvore?

- Sim, um urso. Eles sabem subir às árvores! Ele viu-me, começou a cheirar-me, cheirou-lhe ao mel da colmeia e começou a abrir a boca. Eu dei um grito e comecei a descer o mais depressa que podia. Mas o urso continuava a vir atrás de mim. Eu a descer e ele a aproximar-se. Quando começo a ver o chão, vejo as pessoas a começar a fugir. Só a menina é que não saia do sítio. Finalmente chego ao chão, na pressa vou contra a menina, a qual está de braços abertos e a sorrir dizendo: “Anda cá meu gatinho.”

- O gatinho veio atrás do urso? – pergunta, intrigada.

- Claro que Não!! Está-se mesmo a ver que o urso chamava-se gatinho. – responde a amuada da minha mulher, estragando o “suspense”.

- O urso chamava-se gatinho? – pergunta-me.

- Sim. Era o bicho de estimação da menina. Um enorme urso a quem a menina tinha chamado gatinho.

- Então e depois?

- Quando eu toquei na menina enchi-a de mel, e o urso, que estava cheio de fome, quando viu a menina de braços abertos, abriu a boca e comeu-a.

- A sério? – diz escandalizada.

- Sim, mas não te preocupes, porque logo a seguir o urso teve uma indigestão e morreu.

- E depois?

- Depois saíram todos de casa e vieram-me dar os parabéns, pois finalmente alguém tinha acabado com o urso, de quem todos tinham medo. Fizeram uma grande festa e mudaram o nome da terra para “Luis Luz o Herói”

- Mas....e a menina? – pergunta ela, um pouco triste.

- Fiquei a saber que a menina era uma grande chata e que ninguém gostava dela, pois obrigava as pessoas a subirem a árvore para irem buscar o urso, e depois este comia-os. Para além disso, a menina nunca limpava a porcaria que o urso fazia nas ruas da terra.

- Por isso é que a terra antes se chamava “Grande Bosta”, não é?

- É isso mesmo. E o que é que aprendeste com a história?

- Que és um herói.

- Não. A moral da história é que se não cumpres a tua tarefa diária, de limpar a caixa de areia do gato, compro um urso e besunto-te com mel.

Lá consegui fazer com que as duas amuassem e saíssem da mesa e da cozinha, ficando, finalmente, sozinho para poder comer as bolachas de chocolate, que estavam desesperadamente à minha espera, na despensa.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/178447.html

O mundo segundo ela.... - 17Jun2008

A minha mulher tem teorias esquisitas sobre a sociedade. Uma delas diz respeito à forma como as mulheres se comportam na política. Segundo ela, as mulheres que estão na política, não são verdadeiras mulheres. São mulheres que agem como homens, pois, (e mais uma vez de acordo com as suas palavras) só através dessa metamorfose, elas conseguem singrar politicamente.

Se o mundo fosse dirigido por verdadeiras mulheres (continuou ela, no seu longo monólogo matinal) tudo estaria bem diferente, e para melhor.

Ora, se isto não é o ponto de partida para um bom post, o que será então?

Vamos então fazer um pequeno exercício e expor como seria o mundo se este fosse governado por “verdadeiras” mulheres, ou neste caso específico, como seria o mundo, e Portugal, se este fosse governado pela minha mulher:

  1. A bíblia/corão/tora seria(m) substituída(s) pelos livros do OSHO
  2. Todos os treinadores/jogadores/dirigentes/adeptos de futebol teriam que obrigatoriamente frequentar cursos de aprendizagem de sinónimos para evitarem repetir sempre as mesmas palavras (esta, por acaso, até faria sentido);
  3. Acabavam os fusos horários e as horas como as conhecemos. Estas passariam agora a ser estabelecidas por decreto, de acordo com a vontade/disponibilidade/ciclo menstrual da nova líder.
  4. O único canal televisivo que existiria seria o TV5 Monde.
  5. O Mc’ Donalds passaria exclusivamente a vender saladas (mas continuaria a vender os seus gelados e as tartes de maçã)
  6. O fecho de serviços públicos no interior do país (escolas, polícia, centros de saúde, etc.) não teria em conta aspectos economicistas, mas sim aspectos práticos, ou seja, a partir do mapa do nosso território todos estes serviços seriam recolocados de forma a que, vistos de um avião, formassem uma linda figura geométrica, ou de preferência um “smiley”.
  7. A garantia de satisfação seria obrigatoriamente alargada ao acto sexual num casal, nomeadamente às rapidinhas.
  8. Conjugar menstruação e irritabilidade na mesma frase daria pena de morte
  9. Passaria a haver apedrejamentos públicos para todos os que entrassem em casa sem limpar os sapatos.
  10. A lei do tabaco seria insignificante comparada com a nova lei do vestuário.
  11. Deixariam de existir guerras, pois estas passariam a chamar-se “Precisamos de reequilibrar a nossa relação”
  12. Todos os aparelhos tecnológicos para uso doméstico, teriam obrigatoriamente um único botão (Liga/Desliga) o qual teria que ocupar, no mínimo, 50% da área do aparelho.


Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/178319.html

Se isto não é prova de que estou a precisar de férias.... - 10Jun2008

Perguntam-me algures num comentário, se as actualizações do blog(ue?) (como é que isto fica com o acordo ortográfico?) não podiam ser mais frequentes.

Claro que podiam, assim como também nós Portugueses, podíamos colocar bandeiras à janela, sem ser por causa do futebol, não podíamos? Podíamos (devíamos) colocar a nossa bandeira sempre que o país exige mais de nós, sempre que promessas políticas são quebradas, sempre que o desenvolvimento do interior é adiado ou visto de uma forma economicista e centralista (com a visão de Lisboa). Enfim, sempre que as coisas não correm como nós achamos que deveriam correr. Aí sim, deveríamos colocar a nossa bandeira, para mostrar que mesmo quando as coisas estão más, nós estamos cá, prontos para o que der e vier. Mas pronto, preferimos o "fast-food" das emoções, ao desgaste do inconformismo.

E o que é que isto tem a ver com a pergunta feita no comentário? - perguntam vocês. Leiam a porra do título do post!!



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/178137.html

O parlamento explicado às crianças..... - 07Jun2008

- Pai para a semana, a professora quer nos levar a visitar a Assembleia da República. O que é isso?

- Ela não te explicou?

- Sim, mas quero que tu me expliques melhor.

- Ok. É uma espécie de Coliseu, como aquele que vimos em Roma.

- Fazem lá lutas? – pergunta-me desconfiada.

- Sim. Só que agora não se matam uns aos outros. Agora a luta é com palavras.

- Como é que eles lutam com palavras? – pergunta, com a desconfiança a aumentar.

- Existem várias equipas, que se chamam partidos. Cada partido tem que dizer o pior que conseguir de outro partido, de preferência do partido que tem mais jogadores. Para isso, todos os dias, é dada a cada equipa um tempo para falarem. Ganha o partido que conseguir ofender mais o outro.

- Parece fácil.

- Isso pensas tu. Existem três regras: Em primeiro lugar só podem usar palavras muito esquisitas, ou seja, não podem ofender, as outras equipas, com palavras simples, como por exemplo, chamando burro, estúpido, parvo, etc. Têm que usar frases e palavras elaboradas, que não se ouvem muito nas conversas normais, de preferência tiradas de livros, para dar um ar de que são pessoas muito inteligentes. Depois têm que conhecer muito bem o passado de todos os membros de todas as outras equipa: o que fizeram, o que não fizeram, o que já disseram, quando é que o disseram, etc.. E finalmente têm que fazer rir, com o que dizem, toda a gente. Esta última parte é muito complicada, pois quem está a ser ofendido, normalmente, não acha piada nenhuma.

- E quem está a ganhar esse jogo?

- Ninguém filha. Estão sempre empatados. Por isso é que de 4 em 4 anos nós votamos para renovar as equipas. Para ver se assim o jogo acaba.

- Mas a professora disse-me que é na Assembleia que fazem as leis que mandam no nosso país. – diz-me ela, mostrando uma enorme desconfiança por tudo o que lhe tinha dito.

- A tua professora quer-vos fazer uma surpresa. Vais ver quando lá chegares, se eu tenho ou não razão. Mas se não acreditas em mim, posso te mostrar uns vídeos.

- Está bem. Mostra-me! – diz a incrédula.

Dado o volume de exemplos existentes na Net, esta foi a teoria de faz de conta, que mais rapidamente lhe consegui impingir.

Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/177905.html

Perguntar afinal ofende...... - 30Mai2008

- Parece que o Alzheimer da minha avó (93 anos) faz com que ela, às vezes, já não reconheça a minha mãe. - diz-me a minha mulher, assim que desliga o telefone.

- E isso é bom.....ou é mau? - pergunto-lhe, sinceramente indeciso.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/177523.html

Preocupações..... - 14Mai2008

À noite na cama:
- És feliz? - pergunta-me ela, exactamente no momento em que me preparava para a seduzir.
- Queres a versão Capitalista, Humanista, ou Espiritual? - digo, enquanto, no meio de um suspiro, volto para o meu canto da cama.
- Acho que a mim, falta deixar de me preocupar tanto com a nossa filha. - diz, com um suspiro.
- Acho que te preocupas tanto, como uma mãe normal. Tens as tuas porras, mas no geral, não vejo grandes exageros. - digo, chegando-me a ela.
- Não concordo. Preocupa-me tudo. Se brinco com ela o suficiente, se tenho tempo para ela que chegue, se falo com ela o que ela precisa, etc..
- Amor! - reparem na minha total empatia com a sua preocupação... - Deixa-te de merdas! Quanto mais pensares nisso, mais condicionada te vais sentir. Faz apenas o que achas que deves fazer, e pronto! A moça é feliz e tu és uma excelente mãe. Ás vezes um pouco chata, mas isso é normal numa mãe.
- Pois! Mas é isso mesmo... Preocupo-me demais!
- Ok. Vamos lá então falar a sério. Pelo meu ponto de vista, é normal as mães preocuparem-se mais, do que os pais. Por mais que me custe admitir e dizê-lo, o facto de os filhos passarem 9 meses dentro de vocês, cria laços que nós homens, nunca poderemos sentir. Há uma ligação especial que as mães vão sentir para o resto das suas vidas, a que nós homens nunca poderemos aspirar. Pelo que, acho perfeitamente normal te preocupares mais do que eu, com a moça.
(pausa, com um ligeiro suspiro de alívio, da parte dela)
- Depois disto que eu disse, mereço sexo, não mereço? - pergunto-lhe.
- Não! Ainda não estou bem...
Abraço-a e digo-lhe:
- Amor. Para sermos felizes, temos que viver um sorriso de cada vez.
Ela abraça-me e solta mais um suspiro.
- Então e agora? - volto a insistir.
- Não. Hoje não me apetece.
- Está bem. - digo enquanto volto para o meu canto - Eu aceito o que a vida me dá! Tento. Insisto. Teimo. Mas aceito os nãos. Não fico a pensar neles muito tempo. Deixo as coisas andar. Sei que bastará um dia, uma hora, ou até um pequeno momento, para que o teu desejo por mim volte, e quando isso acontecer, sei que te vou fazer esquecer todas essas preocupações e simplesmente vais, mais uma vez, ver o brilho que tens dentro de ti.

E assim, meus caros, o dinheiro que certa dia gastei, em propinas, quando resolvi inscrever-me no 1º ano de um curso superior em Psicologia, continua a ser amortizado.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/177246.html

É por estas coisas que ela me adora..... - 10Mai2008

No dia dos anos da minha mulher:
- Toma, e muitos parabéns. - digo-lhe, ao mesmo tempo que lhe passo um embrulho para as mãos e lhe dou um beijo.
- Ó amor. Não era preciso. - diz ela, usando aquela hipocrisia habitual das mulheres, nestas ocasiões. - O que é isto?! Um jogo?! Mas...um jogo de consola?! É esta a minha prenda de anos?! - reage ela, de uma forma nada adequada ao tal "Ó amor. Não era preciso."
- Calma. Repara bem que jogo é esse. Tens-te queixado que andas com trabalho a mais, que não tens tempo para descontrair e que gostavas de aprender Yoga. Pois este não é um jogo qualquer. É o Wii Fit, o qual, para além de te permitir fazer diversos exercícios de "fitness", também te mostra e ensina, de forma interactiva, a fazer Yoga.
- A sério? - diz ela mais calma, enquanto vai olhando para a caixa do jogo.
- Sim. Confia em mim. Permite-te ainda acompanhar a tua evolução ao longo dos exercícios, e até te ensina a respirar enquanto os fazes. É muito interactivo devido a esta espécie de almofada, que vai controlando o que vais fazendo, e transmitindo isso para a consola. Acredita em mim! Com este jogo vais finalmente fazer aquilo que querias: aprender a fazer Yoga.
- Ó amor! Que querido! Adoro-te! - termina ela, com um merecido beijo à minha pessoa.

Mais tarde:
- Amor! - chama-me ela - Anda-me ajudar a montar isto. Não consigo pôr isto a funcionar na nossa consola (Playstation1).
- Pois. Esqueci-me de te dizer. Esse jogo só funciona numa consola que se chama Wii. Lembras-te de ontem, te teres queixado do dinheiro que poupaste, por este ano não teres tido tempo para ires aos saldos? Agora já tens onde o gastar.

E, mais uma vez, aquele que é o meu principal objectivo nos aniversários da minha mulher (surpreendê-la com as minhas fantásticas prendas) foi totalmente atingido. Além de que bati o anterior recorde (e por larga margem) dos minutos em que ela ficou paralisada, de boca aberta, e de olhos fixos, a olhar para mim.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/176951.html

Zeca Afonso: Cantor de Intervenção......(ou disléxico?) - 09Mai2008

Durante o jantar e enquanto ouvíamos o CD “Filhos da Madrugada”:

- Não percebo nada do que eles dizem nas músicas. – queixa-se a nossa filha, com o cotovelo em cima da mesa e a mão a apoiar a cabeça, enquanto com a outra vai mexendo a sopa com a colher.

- O senhor que escreveu as letras da música não podia, na altura, escrever o que queria, então escrevia através do que se chama de metáforas. – responde a minha mulher – E já agora, senta-te como deve ser e come a sopa!

- Pai, o que é uma metáfora? – pergunta-me, após um longo suspiro.

- Vou-te dar um exemplo: Quando a mãe resolveu descongelar a sopa, que ela fez há uns meses, e nos obriga a comê-la, está a dizer-nos, de outra forma, que não gostou nada que o pai tivesse trazido uma piza para o jantar. Isso é uma metáfora: Dizer as coisas que pensamos, mas de outras formas.– respondo.

- A mão só te obriga porque gosta de ti, pois a sopa faz-te bem. Ajuda a estimular o cérebro. – diz-lhe a minha mulher.

- Já percebi. – diz a nossa filha, dirigindo-se a mim - É que acontece quando tu fazes exercício e logo a seguir vais comer chocolates. Estás a querer dizer que não vais emagrecer. – diz, com um sorriso, que me pareceu demasiado desrespeitador, para com um educador do meu calibre.

- Não filha. Isso é um simples paradoxo! – respondo-lhe.
- E o que é um paradoxo? – pergunta.

- É seres obrigada a comer a sopa e, ao mesmo tempo, dizerem que gostam de ti.

(pausa, aproveitada pela minha mulher para me enviar à cabeça um pedaço de pão)

- Mas continuo a não perceber o que eles cantam. Acho que quem escreveu estas músicas, escrevia o que lhe vinha à cabeça e depois chamou-lhe matáfora. – insiste a nossa filha, continuando a mexer a sopa com a colher. – Conheço um menino que não consegue ler bem. Troca as palavras e não se percebe nada, quando está a ler. A professora diz que é dizpéxico. Se calhar o senhor que escreveu as músicas, também tinha esse problema.

- Mas por que raio é que ela já não come mais sopa? – grita a minha mulher comigo, quando me vê a tirar o prato de sopa, da frente da nossa filha.

- Porque quem apresenta teorias com esta lógica, não necessita da tua sopa para estimular o cérebro.



Fonte: http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/176715.html

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Entra um anão num bar e dirige-se ao balcão. Como o balcão era alto, começa aos saltos:
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Ninguém respondia. Ao fim de algumas tentativas, dá uma volta ao balcão e vê outro anão aos saltos:
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