Lusofolia
Sinais de fumo - 2008-09-26 03:49
Há mais de 24 horas que por estas bandas, eu e grande parte da população estamos sem telemóvel, porque a principal operadora de telemóveis, a Mcel, pifou. De um momento para o outro pifou, deixou-nos sem rede, e sem explicação. Link. Dizem as más línguas entretanto que o facto se deve à luta que se vem travando há algum tempo entre as duas operadoras locais, a Mcel e a Vodacom, sendo que esta última, apesar de minoritária, é propriedade de gente muitíssimo importantíssima, não me admirando eu, portanto, que a avaria, ou as avarias, sejam difíceis de resolver, e que as posições mais dia menos dia se invertam.
Mas isso é o que dizem por aí, porque eu, enquanto estou para aqui indeciso se mudo para a Vodacom ou não (mudo mas não calado) porque não encontro outra solução, vejo que têm acontecido algumas coisas curiosas por causa do caso. Só de ontem para hoje, reparei que o pessoal se tem encontrado muito mais, não foi só comigo, que dei por mim a ir procurar pessoas pessoalmente (lindo pleonasmo!), como se fazia antigamente, e acabei até por ao fim do dia ter um jantar meio improvisado mas muito simpático, em casa de umas pessoas onde provavelmente não iria se tivesse o telefone a funcionar. Por isso, enquanto espero e pondero se mudo de rede ou não, vou calcorreando a cidade e treinando o batuque e os sinais de fumo.
Mas isso é o que dizem por aí, porque eu, enquanto estou para aqui indeciso se mudo para a Vodacom ou não (mudo mas não calado) porque não encontro outra solução, vejo que têm acontecido algumas coisas curiosas por causa do caso. Só de ontem para hoje, reparei que o pessoal se tem encontrado muito mais, não foi só comigo, que dei por mim a ir procurar pessoas pessoalmente (lindo pleonasmo!), como se fazia antigamente, e acabei até por ao fim do dia ter um jantar meio improvisado mas muito simpático, em casa de umas pessoas onde provavelmente não iria se tivesse o telefone a funcionar. Por isso, enquanto espero e pondero se mudo de rede ou não, vou calcorreando a cidade e treinando o batuque e os sinais de fumo.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/deitem-fora-os-telemveis.html
Zimbabuíno - 2008-09-26 03:49

Depois de culpar a Grã-Bretanha pelo surto de cólera que lhe assola o país, este espécime, além de outras insanidades, lembrou-se agora de mais esta.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/ltima-do-zimbabuno.html
na sequência do post anterior - 2008-09-26 03:49
Se você quiser experimentar a pontaria clic aqui.Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/se-quiser-treinar-pontaria.html
Por acaso até achei graça - 2008-09-26 03:49

O que me surprendeu foram os reflexos do animal...
Se quiser atire você os sapato.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/por-acaso-at-achei-graa.html
Carneirada - 2008-09-26 03:49
Eu até gosto de ouvir o professor Medina Carreira, mas o que ele diz, ao povo português entra-lhe por um ouvido e sai pelo outro. Os portugueses nunca se revoltaram nem nunca se revoltarão.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/eu-gosto-de-ouvir-medina-carreira.html
Bem visto - 2008-09-26 03:49
"Quem é contra o consumismo quer um salário elevado para quê?"in Blasfémias
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/bem-visto.html
Acabem com a discussão - 2008-09-26 03:49
porque o optimista não é mais que um pessimista mal informado.Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/acabem-com-discusso.html
não me passa pela cabeça - 2008-09-26 03:49
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/no-me-passa-pela-cabea.html
Nem mais! - 2008-09-26 03:49
"À maioria dos tipos que o PSD e o PS escolheram para deputados saiu-lhes a sorte grande." Pacheco Pereira dixit, na Quadratura do Círculo.Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/sorte-grande.html
Estrada Poeirenta - 2008-09-26 03:49

agora que um dos melhores blogs portugueses na diáspora se calou, acrescento aqui à minha lista um dos melhores blogs moçambicanos, também ele na diáspora. Bem vindo.
... e já agora este também
... e já agora este também
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/j-merecia.html
ainda o apito dourado - 2008-09-26 03:49
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/ainda-o-apito-dourado.html
Com eles no sítio - 2008-09-26 03:49

Parece que os cabrões dos chineses estão fodidos com o Sarkozy por este se ter encontrado com o Dalai Lama na Polónia. Pois ainda bem, e ainda bem que há políticos que os têm no sítio, coisa que não acontece com alguns que a gente conhece por aí.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/polticos-com-eles-no-stio.html
Ganharam as batalhas mas perderam a guerra - 2008-09-26 03:49

"Entre 1961 e 1991, a África serviu de campo de batalha para quatro adversários com interesses bem definidos. Os Soviéticos queriam estender a sua influência por um novo continente, os Estados-Unidos apropriar-se das riquezas naturais existentes em África, os antigos impérios sentiam vacilar a sua potência colonial e as jovens nações defendiam a sua independência acabada de conquistar. Contra o capitalismo, o socialismo ou o colonialismo, estes povos que pela primeira vez eram senhores dos seus países, tornaram-se uma espécie de terceiro bloco e combateram em nome de um novo ideal: o internacionalismo como arma para assegurar a independência nacional.
Todos os jovens revolucionários africanos, como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral ou Agostinho Neto, apelaram aos guerrilheiros cubanos para os ajudar na sua luta. E a Cuba de Fidel Castro teve um papel crucial, embora pouco conhecido, na nova estratégia ofensiva das nações do Terceiro Mundo.
Por detrás dessa guerra que se disse "fria" e dos seus confrontos "por procuração", Cuba, uma odisseia africana vai da epopeia trágico-cómica de Che Guevara no Congo até ao triunfo na batalha de Cuito Cuanavale em Angola para contar a história desses internacionalistas, cuja saga ajuda a compreender o mundo de hoje: ganharam todas as batalhas, acabaram por perder a guerra."

Infelizmente, as autoridades angolanas de hoje, que são as mesmas de ontem, parecem lidar mal com a sua História. .
(com a colaboração do nosso correspondente em Tete António Teixeira)Todos os jovens revolucionários africanos, como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral ou Agostinho Neto, apelaram aos guerrilheiros cubanos para os ajudar na sua luta. E a Cuba de Fidel Castro teve um papel crucial, embora pouco conhecido, na nova estratégia ofensiva das nações do Terceiro Mundo.
Por detrás dessa guerra que se disse "fria" e dos seus confrontos "por procuração", Cuba, uma odisseia africana vai da epopeia trágico-cómica de Che Guevara no Congo até ao triunfo na batalha de Cuito Cuanavale em Angola para contar a história desses internacionalistas, cuja saga ajuda a compreender o mundo de hoje: ganharam todas as batalhas, acabaram por perder a guerra."

Infelizmente, as autoridades angolanas de hoje, que são as mesmas de ontem, parecem lidar mal com a sua História. .
A propósito, ver o vídeo:
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/bolas-de-ouro.html
O post da semana - 2008-09-26 03:49
O post da semana é este...Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/o-post-da-semana.html
A História contada a imbecis - 2008-09-26 03:49
"A História e a actualidade demonstram que é o próprio imperialismo e a sua política que promovem e alimentam o terrorismo, invocando-o depois para difundir uma falsa dicotomia entre segurança e liberdade, e para fortalecer a componente repressiva dos Estados e a devassa e controlo da vida dos cidadãos e das relações sociais."
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/12/explicao-do-terrorismo.html
"Land of Contrast" - 2008-09-26 03:49
(a preparação do concerto)e depois o CONCERTO
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/no-deixem-de-ver.html
eu também - 2008-09-26 03:49
quando vi o miúdo de braçadeira de capitão também achei que alguma coisa estava mal.Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/eu-tambm.html
eu não queria, mas já tinha prometido às crianças... - 2008-09-26 03:49
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/eu-no-queria-mas-j-tinha-prometido-s.html
... na peida! - 2008-09-26 03:49
"Tenho confiança na equipa. Os jogadores na hora certa vão dar uma resposta"A que horas? Que resposta? Eu, que estive acordado até às quatro da manhã para ver o jogo, acho que a hora certa foi quando me fui deitar, depois do quarto golo, e devia ter ido antes. Ganda Brasil!!!
Adenda: Entretanto acabo de saber que para o Carlos Queiroz se ir embora a indeminização que lhe cabe é de cerca de um euro e meio por cada português. Eu já mandei a minha parte por vale postal.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/que-horas-e-que-resposta.html
"Olhos nos Olhos" - 2008-09-26 03:49
Esta é a exposição que eu deveria e gostava de ter feito há quarenta anos. Mas só agora aconteceu, a vida assim quis. Com ela se fecha um ciclo, e prometo não vos fazer esperar outros quarenta pela próxima. Àqueles que me têm perguntado porquê a escolha do preto e branco, quero esclarecer que as fotos são todas coloridas, coloridas com cores que só algumas pessoas conseguem ver."LUZES NOS OLHOS"
Que luzes são estas que brilham nos olhos que nos olham nos nossos próprios olhos? Que "clic" alumbrante faz abrir o diafragma de uma câmara qual retina no claro-escuro do espelho da alma? Que diálogo de íris é este em mensagens oscilando entre o sereno e o questionante, entre o sério e o sorridente?
Com olhos de espírito percorro estas imagens que o António-Henrique Silva nos dá em química água reveladora. Escolhendo o preto-e-branco para a sua mostra artística, as fotos acabaram por ganhar outros brilhos e contornos contrastantes, outro pulsar interpretativo.
Efectivamente, o claro e escuro obriga-nos à imaginação, abre-nos caminhos-de-mar nocturnos ou solarengos onde podemos navegar pela polissemia destes olhares feitos velas e mastros, quilhas e lemes na demanda dos portos da vida. São rostos com um olhar-cais também de chegadas e partidas, de sonhos, de perplexidades, de pupilas questionadoras, de laços de ternura em capulanas de afecto.
Como espelho revelador as imagens refletem um espaço vivencial, um território cultural, uma idade sem tempo, um diálogo aberto com o observado que, por sinal, também nos observa. E é aqui que arte acontece, pois ela é o agora, o fluido espiritual de cada momento, o cadinho alquímico e amoroso do Ser criador e divino que também somos.
Como todas as artes, a fotografia artística nasce igualmente do olhar-gosto, do olhar-talento, do olhar-sentimento, do olhar-mãos em oficina-laboratório, em adicional labor experimentado.
E foi em Angola para onde o levaram com apenas um ano de idade que o António ganhou o gosto pela arte de fotografar e revelar e foi ali que cresceu em experienciadas lutas e labutas que o conduziram depois para outras pátrias de acolhimento e de aprendizagem.
Em viagem por Moçambique, os seus olhos retiveram-se nos nossos olhos e, agraciado e agraciante, não quis ficar com as imagens para si, mas regressar ao Índico mar-rosto deste país e partilhar connosco o olhar-foco do seu talento. Kanimanbo!
CALANE DA SILVA
(Maputo ? Novembro ? 2008)
Com olhos de espírito percorro estas imagens que o António-Henrique Silva nos dá em química água reveladora. Escolhendo o preto-e-branco para a sua mostra artística, as fotos acabaram por ganhar outros brilhos e contornos contrastantes, outro pulsar interpretativo.
Efectivamente, o claro e escuro obriga-nos à imaginação, abre-nos caminhos-de-mar nocturnos ou solarengos onde podemos navegar pela polissemia destes olhares feitos velas e mastros, quilhas e lemes na demanda dos portos da vida. São rostos com um olhar-cais também de chegadas e partidas, de sonhos, de perplexidades, de pupilas questionadoras, de laços de ternura em capulanas de afecto.
Como espelho revelador as imagens refletem um espaço vivencial, um território cultural, uma idade sem tempo, um diálogo aberto com o observado que, por sinal, também nos observa. E é aqui que arte acontece, pois ela é o agora, o fluido espiritual de cada momento, o cadinho alquímico e amoroso do Ser criador e divino que também somos.
Como todas as artes, a fotografia artística nasce igualmente do olhar-gosto, do olhar-talento, do olhar-sentimento, do olhar-mãos em oficina-laboratório, em adicional labor experimentado.
E foi em Angola para onde o levaram com apenas um ano de idade que o António ganhou o gosto pela arte de fotografar e revelar e foi ali que cresceu em experienciadas lutas e labutas que o conduziram depois para outras pátrias de acolhimento e de aprendizagem.
Em viagem por Moçambique, os seus olhos retiveram-se nos nossos olhos e, agraciado e agraciante, não quis ficar com as imagens para si, mas regressar ao Índico mar-rosto deste país e partilhar connosco o olhar-foco do seu talento. Kanimanbo!
CALANE DA SILVA
(Maputo ? Novembro ? 2008)
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/hoje-inaugurao-da-exposio.html
Pai, sou ministro! (... lembram-se?) - 2008-09-26 03:49
"Pede para ser ouvido, não porque tenha alguma coisa para contar, mas porque não tem nada para esconder".É este um dos rostos que nos ficaram do Cavaquismo, para além da múmia que agora faz de Presidente. Eu por mim, para palhaçadas, prefiro as do homem das barbas aqui em baixo.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/os-rostos-do-cavaquismo.html
let´s look a trailer - 2008-09-26 03:49
... e no fim não deixe de ver os outros trailas do Manel João.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/e-agora-algo-completamente-diferente.html
E se Obama fosse africano? - 2008-09-26 03:49
Por Mia CoutoOs africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas ? tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
Jornal "SAVANA" ? 14 de Novembro de 2008
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/e-se-obama-fosse-africano.html
um Stradivarius no Metro de Nova York - 2008-09-26 03:49
a explicação num comentário ao post anterior.
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/arte-no-metro.html
eu bem avisei - 2008-09-26 03:49
Na Europa começa agora a perceber-se que afinal o nosso Zé Manel é um bocado cepo. (um bocado é favor)
Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2008/11/s-agora-perceberam.html







