Lusofolia




"Já cheira a calulu" - 26Jan2012 04:43:00

"Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.Já cheira a calulu, já consigo viajar até Benguela. Às vezes pergunto-me como consigo resistir ao Inverno, manter-me tanto tempo afastado da terra, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge, a bandeira gastronómica dos angolanos. Não sei responder ...A colher de pau visita o interior do tacho com cerimónia, não podemos deixar o peixe desfazer-se. Não é necessário colocar água para o molho, esta virá dos próprios ingredientes, basta ser paciente e não subir a intensidade da chama, o calulu é de cozedura lenta e só colocamos os quiabos na panela passados 30 minutos. Depois dos legumes cozidos e do peixe estar no ponto, desfaço uma colher de sopa de farinha de mandioca em água para engrossar o molho e deixo apurar por mais alguns instantesAbençoado seja este calulu."Uma receita de Kalaf

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/kalaf-angelo.html

Antes que o calem (...já calaram) - 24Jan2012 04:07:00

Ainda a propósito de um inenarrável programa da RTP emitido a partir de Angola a quando da visita do Ministro Relvas, que não consegui ver até ao fim, vale a pena ouvir a crónica desde Paris de Pedro Rosa Mendes...entretanto soube agora que a RDP acabou com o programa que permitiu esta ousadia de Rosa Mendes

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/obrigatorio-ouvir-esta-cronica-de-paris.html



Afinal sempre vale ser "Jotinha" - 18Jan2012 04:01:00

Estes jovens não precisam de emigrarpor Manuela Costa, terça, 17 de Janeiro de 2012 às 17:54Lista de 29 assessores / adjuntos de Ministérios, todos de idade inferior a 30 anos, havendo 14 "especialistas" com idades entre os 24 e os 25 anos. Fonte: http://www.portugal.gov.pt/MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)Cargo: Assessora. Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos. Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Adjunto Nome: João Miguel Saraiva Annes Idade:28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.183,63 ?MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)Cargo: Adjunto Nome: Filipe Fernandes Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.633,82 ?MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)Cargo: Adjunto Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida Idade: 26 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Assessor Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.854 ?Cargo: Assessor Nome: Filipe Gil França Abreu Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.854 ?Cargo: Adjunto Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)Cargo: Assessor Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Assessor Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.364,50 ?MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)Cargo: Especialista Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Adjunto Nome: Ademar Vala Marques Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Especialista Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Especialista Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3069,33 ?Cargo: Especialista Nome: André Tiago Pardal da Silva Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)Cargo: Adjunta Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: Tiago Lebres Moutinho Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: João Miguel Cristóvão Baptista Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: André Filipe Abreu Regateiro Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte Idade: 25 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: João Miguel Folgado Verol Marques Idade: 24 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 ?MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)Cargo: Especialista/Assessor Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo Idade: 25 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Especialista/Assessor Nome: Antero Silva Idade: 27 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?Cargo: Especialista Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 ?MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)Cargo: Adjunto Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 3.069,37 ?MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)Cargo: Assessoria Técnica Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo Idade: 29 anos Vencimento Mensal Bruto: 2.198,80 ?Cargo: Assessor Nome: Ricardo Morgado Idade: 24Vencimento Mensal Bruto: 2.505,46 ?SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)Cargo: Colaboradora/Especialista Nome: Filipa Martins Idade: 28 anos Vencimento Mensal Bruto: 1.950,00 ?

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/afinal-sempre-vale-ser-jotinha.html


O sec. XX português em imagens - 16Jan2012 04:52:00


Para quem tenha curiosidade em ver imagens da nossa história mais ou menos recente recomendo "RESTOS DE COLECÇÃO", com os parabéns e o agradecimento ao autor. (para aqueles que não o reconheceram, este senhor aqui em cima com ar de nazi é Marcelo Caetano, sucessor de Salazar como Primeiro Ministro, e que foi apeado no 25 de Abril de 74)


Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/restos-de-coleccao.html



As palavras já nem parecem as mesmas - 14Jan2012 02:55:00

Desconheço o autor deste texto que encontrei por aí, e uma rápida procura na net diz-me que já foi publicado em vários blogs. Publico-o aqui também não para ser mais um mas apenas porque gostei e para chatear uns parvos que o acharam racista e xenófobo. Siga..."Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.São muitos anos de convívio.Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: - não te esqueças de mim!Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.E agora as palavras já nem parecem as mesmas.O que é ser proativo?Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.É uma união de facto, e para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa (^^^) chapéu.E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.As palavras transformam-nos.Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSS ...?!?! ?Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós?Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos afroamaricanos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça!"

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/de-acordo.html

os políticos - 13Jan2012 12:11:00

Os políticos podem não ser capazes de resolver os problemas do nosso mundo mas, como temos visto, podem agravá-los de um modo muito significativo.Manuel Maria Carrilho

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/os-politicos.html

Sobre a Maçonaria - 13Jan2012 12:05:00

Ontem ouvi este senhor na RTP falar sobre os maçons e a maçonaria e gostei.

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/sobre-maconaria.html

Grão de bico contra a crise - 12Jan2012 08:35:00

Depois de um mail amigo me chamar a atenção e de uma espreitadela na net cheguei à conclusão que se uma dieta de grão de bico não resolve a crise pode talvez ajudar a suporta-la. Não sei mesmo se a boa disposição dos moçambicanos não se deve à quantidade de bajias (pastéis de grão) que se consomem nas ruas de Maputo.


Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2012/01/grao-de-bico-contra-crise.html



Uma pena - 23Dez2011 04:10:00

...afinal, depois de ver o filme até ao fim percebi que Mr. Bloom estava a falar para uma plateia vazia. Uma pena!

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2011/12/httpwww.html

2011 - 22Dez2011 19:53:00

"O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros?. (Confúcio)

"Observando Portugal, não poderia estar mais cheio de razão. O ano teve um culpado no começo, José Sócrates. Continuou com culpados diversos: os mercados, a Grécia, a Alemanha, os especuladores. Mas nenhum destes senhores, entidades, países ou fantasmas se chegou à frente para assumir responsabilidades. No fim, como no começo, parece que a culpa é nossa, de cada um de nós, individualmente, que teremos tido a ousadia e audácia de acreditar, por momentos, no que nos disseram os governantes, os programas dos partidos, os ?sinais? da economia. Somos os culpados de termos acreditado nesta gente toda, que agora nos diz que teremos de pagar pelos erros, enganos e mentiras que nos andaram a oferecer envenenada e falsamente."
Pedro Rolo Duarte

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2011/12/2011.html


Exmo Senhor Primeiro Ministro - 21Dez2011 08:17:00

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro.E como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.Myriam Zaluar, 19/12/2011(carta encontrada algures na net)

Fonte: http://lusofolia.blogspot.com/2011/12/exmo-senhor-primeiro-ministro.html




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A esposa levanta-se no meio da noite e percebe que o marido está a chorar na sala. Ela pergunta-lhe o que se passa e diz:
- Lembras-te quando namorávamos, tu tinhas 16 anos e engravidaste?
- Lembro-me - disse ela.
- Pois é. O teu pai disse-me que se não casasse contigo apanharia 20 anos de prisão...
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- Se estivesse preso, estaria livre amanhã...
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